Construtora Adolpho Lindenberg encerrou 2021 em um ano de retomada operacional importante, apoiada no avanço de vendas, na recomposição de estoque imobiliário e na ampliação do banco de terrenos. A companhia ainda apresentava escala contábil pequena, mas os indicadores operacionais mostravam recuperação relevante em relação a 2020, com maior velocidade comercial e foco em empreendimentos residenciais de alto padrão, principalmente na cidade de São Paulo.
CALI3 - Construtora Adolpho Lindenberg
Uma das mais tradicionais empresas brasileiras do setor imobiliário, focada na incorporação e construção de empreendimentos residenciais e comerciais de alto e altíssimo padrão. A companhia atua em todas as fases do desenvolvimento imobiliário — desde a concepção arquitetônica clássica e planejamento até a execução das obras e comercialização das unidades —, sendo amplamente reconhecida pelo forte apelo estético de seus projetos na região metropolitana de São Paulo.
17/04/2026 R$ 0,90
24/04/2025 R$ 0,27
15/04/2024 R$ 0,62
24/04/2023 R$ 0,45
Análise de preço da ação
Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.
Valuation difícil de ancorar com liquidez quase nula
A leitura de valuation da Construtora Adolpho Lindenberg fica indefinida porque os múltiplos tradicionais não conseguem ser calculados de forma confiável a partir do valor de mercado atual, com cotação de R$24,96 colada na mínima e na máxima de 52 semanas (R$24,96 a R$25,00) e volume praticamente zerado. A base acionária é extremamente concentrada, com EZTEC e Lindenberg detendo 46,76% cada e free float de apenas 6,42%, o que comprime a liquidez e distorce qualquer referência de preço de tela. Nos fundamentos, há melhora estrutural clara: a receita anual de 2025 saltou para R$365,6 mi, o lucro líquido base chegou a R$45,87 mi e o EBITDA a R$57,28 mi, com o 1T26 mantendo o ritmo, receita de R$96,64 mi e margem bruta de 29,8%.
O ponto de atenção é que essa virada é capital intensiva e ainda não se traduziu em geração de caixa recorrente. A dívida líquida subiu para R$150,56 mi no 1T26, os juros pagos cresceram fortemente, os estoques consolidados praticamente dobraram (cerca de R$450 mi) e o fluxo de caixa operacional seguiu negativo. Some-se a isso a distorção entre resultado consolidado e parcela atribuível à controladora, por causa do peso crescente dos não controladores. Por falta de múltiplos confiáveis, liquidez muito baixa e fundamentos ainda em transição, a classificação permanece indefinida, exigindo acompanhamento da conversão de lucro em caixa antes de uma leitura mais firme de desconto ou prêmio.
Indicadores principais
Adolpho Lindenberg cresce e lucra no 1T26 com o sucesso do Metropolitan, mas estoques altos e caixa operacional negativo ainda exigem postura cautelosa.
A Construtora Adolpho Lindenberg iniciou 2026 confirmando a melhora estrutural observada em 2025, com forte crescimento de receita, vendas líquidas robustas, VSO elevada, margem bruta de 29,8%, EBITDA positivo, lucro atribuído à controladora de R$16,4 milhões e patrimônio líquido maior. O lançamento Metropolitan by Lindenberg teve forte aceitação comercial, com mais de 70% das unidades comercializadas na data do release, reforçando a qualidade da execução comercial. A cautela fica no caráter capital intensivo da virada: estoques consolidados cresceram de forma relevante, contas a receber aumentaram, fornecedores e terrenos a pagar subiram, a dívida bruta segue elevada, os juros pagos aumentaram e o fluxo de caixa operacional consolidado ainda foi negativo. A empresa deve ser classificada como empresa em crescimento, mas com postura neutra/cautelosa até comprovar geração de caixa recorrente na nova escala.
Trajetória recente
Adolpho Lindenberg encerrou 2022 com avanço relevante de receita consolidada, lucro líquido positivo pelo terceiro ano consecutivo e continuidade do novo ciclo operacional iniciado em 2020, mas com sinais mais claros de cautela em vendas, margem e alavancagem. A companhia seguiu focada em empreendimentos residenciais de alto padrão, principalmente na capital de São Paulo, mantendo obras em andamento e estoque relevante, mas enfrentou ambiente econômico mais desafiador, juros elevados e menor ritmo comercial.
Encerrou 2023 com forte crescimento operacional em lançamentos e vendas, melhora relevante de margem e lucro líquido maior, mas ainda com queda da receita reconhecida, aumento da dívida líquida corporativa e expansão expressiva do estoque a valor de mercado. O ano confirmou a retomada do ciclo operacional da companhia no segmento residencial de médio-alto e alto padrão em São Paulo, ao mesmo tempo em que aumentou a necessidade de execução, venda de estoque e conversão dos projetos em caixa.
Construtora Adolpho Lindenberg encerrou 2024 com forte desempenho operacional em lançamentos e vendas totais, mas com leitura financeira ainda cautelosa. A companhia registrou volume recorde de lançamentos e vendas líquidas totais, manteve foco em produtos residenciais de médio-alto e alto padrão na capital de São Paulo e entregou empreendimentos relevantes do ciclo iniciado em 2020. Porém, a receita líquida anual caiu, a margem bruta recuou, o lucro líquido diminuiu frente a 2023 e a dívida líquida corporativa voltou a subir.
Adolpho Lindenberg encerrou 2025 em um novo patamar operacional, financeiro e societário. O ano foi marcado por aumento de capital relevante, entrada da EZTEC na estrutura de capital, emissão pública de CRI, forte expansão do balanço, caixa muito maior, receita recorde, lucro líquido recorde e melhora expressiva da participação CAL nas vendas. A companhia também reportou o melhor trimestre da história recente no 4T25, com recorde de vendas, receita e lucro líquido. A companhia lançou R$908,3 milhões em VGV em 2025, sendo R$438,1 milhões na participação CAL, com participação média de 48,2%.
Resumo fundamentalista
A Construtora Adolpho Lindenberg iniciou 2026 confirmando a mudança de patamar observada em 2025. O 1T26 combinou forte crescimento de receita, lucro líquido expressivo, vendas líquidas robustas, novo lançamento com alta aceitação comercial, VSO elevada, aumento do patrimônio líquido e manutenção de alavancagem corporativa bem mais baixa do que nos anos anteriores.
A companhia lançou, juntamente com a EZTEC, o empreendimento Metropolitan by Lindenberg no 1T26, torre única localizada na capital de São Paulo, com 546 unidades de médio-alto padrão, VGV total de R$313,7 milhões e participação direta da CAL de 30%. Na data de publicação do release, o empreendimento já contava com mais de 70% das unidades comercializadas e já havia superado a cláusula suspensiva de reconhecimento de receita.
As vendas líquidas totais somaram R$348,9 milhões no 1T26, crescimento de 143,4% frente ao 1T25 e queda de 26,2% em relação ao 4T25. A participação CAL totalizou R$132,6 milhões, equivalente a 38% das vendas totais, crescimento de 253,9% frente ao 1T25 e queda de 20,2% frente ao 4T25. Mesmo com queda sequencial em relação ao trimestre recorde do 4T25, o volume permaneceu forte.
A receita líquida consolidada foi de R$96,6 milhões no 1T26, crescimento de 203,3% frente ao 1T25 e queda de 54,5% em relação ao volume recorde do 4T25. A receita ainda reflete o novo patamar operacional pós-2025, com maior consolidação de projetos e avanço de obras.
O resultado bruto consolidado foi de R$28,8 milhões, com margem bruta de 29,8%. O resultado bruto cresceu 335% frente ao 1T25, e a margem bruta subiu 9 pontos percentuais. A margem também ficou acima da margem anual de 2025, reforçando melhora de rentabilidade bruta no início de 2026.
O EBITDA informado pela administração foi de R$16,9 milhões, com margem EBITDA de 17,4%. O EBITDA cresceu 514,2% frente ao 1T25, embora tenha caído 59% em relação ao 4T25. A margem EBITDA ficou acima do 1T25, mas abaixo do 4T25.
O lucro líquido atribuído aos sócios da controladora foi de R$16,4 milhões, contra R$2,1 milhões no 1T25. O resultado líquido total consolidado foi de R$12,3 milhões, pois houve resultado atribuído a não controladores negativo em R$4,1 milhões. A margem líquida da companhia foi de 17%, acima do 1T25 e também acima do 4T25.
A leitura central para o usuário é positiva, com cautela operacional e financeira. A companhia mostra que a virada de 2025 não foi pontual: vendas, receita, lucro, VSO e rentabilidade continuam em patamar superior ao histórico recente. Ao mesmo tempo, o crescimento é capital intensivo: os estoques consolidados quase dobraram em relação a 2025, fornecedores aumentaram, adiantamentos de clientes cresceram, a dívida bruta segue elevada e o fluxo de caixa operacional consolidado continuou negativo.
Pontos de atenção
O primeiro ponto de atenção é o aumento acelerado dos estoques. Os estoques consolidados totais subiram para cerca de R$450,1 milhões, praticamente o dobro do fechamento de 2025. Esse saldo sustenta crescimento futuro, mas exige execução, vendas, controle de custos e geração de caixa.
O segundo ponto é o aumento de fornecedores e terrenos a pagar. Fornecedores consolidados subiram para R$87 milhões, e terrenos a pagar chegaram a R$69,3 milhões. A expansão do pipeline traz compromissos relevantes.
O terceiro ponto é o aumento dos adiantamentos de clientes de longo prazo. Essa linha subiu para R$162,9 milhões. O aumento melhora financiamento operacional, mas representa obrigações de entrega futura e exige execução adequada das obras.
O quarto ponto é o fluxo operacional ainda negativo. Mesmo com melhora operacional e lucro forte, o caixa operacional consolidado consumiu R$18,2 milhões no trimestre. A companhia ainda precisa demonstrar conversão recorrente de lucro em caixa.
O quinto ponto é o custo financeiro. Os juros pagos no fluxo consolidado somaram R$14,6 milhões no 1T26, muito acima do 1T25. A dívida formal e o CRI melhoraram a estrutura de capital, mas aumentaram a necessidade de geração de caixa para sustentar o serviço da dívida.
O sexto ponto é a dívida bruta elevada. Embora a alavancagem relativa seja baixa, os empréstimos e financiamentos consolidados somavam R$317,9 milhões. A dívida líquida de R$149,8 milhões é administrável frente ao patrimônio líquido, mas o valor absoluto é relevante.
O sétimo ponto é a dependência de lançamentos. No 1T26, 75,4% das vendas da participação CAL vieram de lançamentos. O Metropolitan by Lindenberg teve forte aceitação, mas a manutenção do ritmo comercial depende de novos produtos, demanda, preço e cenário de crédito.
O oitavo ponto é a concentração em São Paulo e em médio-alto/alto padrão. Essa estratégia sustenta marca e ticket, mas mantém a companhia exposta a juros, crédito imobiliário, confiança do comprador e liquidez do segmento premium.
O nono ponto é a relevância de não controladores. A participação dos não controladores no patrimônio líquido consolidado subiu muito, e os resultados atribuídos a sócios não controladores podem distorcer a leitura entre resultado consolidado total e resultado atribuível à Construtora Adolpho Lindenberg.
O décimo ponto é a necessidade de provar recorrência. O 1T26 foi forte, mas ainda é cedo para concluir que a nova estrutura gerará caixa operacional positivo de forma recorrente. O usuário deve acompanhar 2T26 e 3T26 para verificar conversão de estoques e recebíveis em caixa, evolução de margens e disciplina de endividamento.
Leitura final
A Construtora Adolpho Lindenberg iniciou 2026 confirmando a melhora estrutural observada em 2025, com forte crescimento de receita, vendas líquidas robustas, VSO elevada, margem bruta de 29,8%, EBITDA positivo, lucro atribuído à controladora de R$16,4 milhões e patrimônio líquido maior. O lançamento Metropolitan by Lindenberg teve forte aceitação comercial, com mais de 70% das unidades comercializadas na data do release, reforçando a qualidade da execução comercial. A cautela fica no caráter capital intensivo da virada: estoques consolidados cresceram de forma relevante, contas a receber aumentaram, fornecedores e terrenos a pagar subiram, a dívida bruta segue elevada, os juros pagos aumentaram e o fluxo de caixa operacional consolidado ainda foi negativo. A empresa deve ser classificada como empresa em crescimento, mas com postura neutra/cautelosa até comprovar geração de caixa recorrente na nova escala.