Brisanet teve em 2023 um ano de forte avanço operacional e financeiro. A companhia cresceu receita, lucro bruto, EBITDA, lucro líquido e geração operacional de caixa, sustentada principalmente pela expansão da base de clientes de fibra óptica no Nordeste e pela maior eficiência na ocupação da infraestrutura construída nos anos anteriores. A leitura fundamentalista de 2023 é positiva.
BRST3 - Brisanet
Uma das maiores empresas de telecomunicações do Brasil e líder em banda larga fixa na região Nordeste. A companhia atua na prestação de serviços de internet de alta velocidade por meio de uma infraestrutura própria de fibra óptica, oferecendo também soluções integradas que englobam telefonia fixa, TV por assinatura, streaming de música e uma operação em expansão no segmento de telefonia móvel através de redes 4G e 5G.
19/12/2025 R$ 0,04
06/01/2025 R$ 0,04
25/04/2024 R$ 0,09
24/04/2024 R$ 0,09
Análise de preço da ação
Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.
Desconto com risco elevado
Com valor de mercado de R$1,22 bi e cotação de R$2,70, próxima da mínima de 52 semanas (R$2,61), a Brisanet negocia com múltiplos comprimidos em algumas linhas: EV/EBITDA de 3,8x e P/VP de 0,8x, abaixo do patrimônio líquido contábil de cerca de R$1,55 bi. O histórico anual 2023–2025 ajuda a sustentar a leitura de desconto, com receita crescendo 36,6% no período (chegando a R$1,68 bi em 2025), EBITDA evoluindo para R$748,8 mi e margem EBITDA mantida acima de 44%. A expansão acelerada da base móvel 5G e a forte geração operacional de caixa reforçam que existe uma operação saudável por trás do valor de mercado descontado.
O desconto, porém, vem acompanhado de ressalvas materiais. O P/L de 29,8x evidencia que o lucro líquido está pressionado: caiu para R$40,9 mi em 2025 e, no 1T26, ficou em R$19,1 mi, levemente abaixo do mesmo período do ano anterior, enquanto a margem EBITDA recuou de 47% para 42%. O resultado financeiro piorou, a dívida líquida subiu para cerca de R$1,68 bi e o CAPEX da expansão móvel segue elevado, fatores que tornam o desconto dependente de execução. Vale notar ainda o free float reduzido de 18,95% e a forte concentração familiar, o que pode amplificar a oscilação do valor de mercado e reduzir liquidez. O caso precisa ser acompanhado na monetização do 5G, no ARPU, na trajetória de dívida e na conversão de EBITDA em caixa livre antes de tratar o desconto como limpo.
Indicadores principais
Brisanet teve alta de receita e lucro no 1T26, mas expansão móvel elevou dívida e reduziu a margem. Tese de cautela exige monitorar o CAPEX do 5G.
A empresa deve seguir em cautela com viés positivo. O 1T26 mostrou crescimento forte de receita, expansão acelerada da base móvel, EBITDA elevado, lucro líquido positivo e geração operacional de caixa relevante. Porém, a margem EBITDA caiu, o resultado financeiro piorou, a dívida líquida aumentou e a expansão móvel ainda exige investimentos e pressiona custos. O usuário deve acompanhar monetização do 5G, crescimento da base móvel, ARPU, churn, CAPEX, dívida líquida, margem EBITDA e conversão de EBITDA em caixa livre.
Trajetória recente
Brisanet teve em 2024 um ano de crescimento de receita e expansão operacional, mas com forte queda de lucro líquido, aumento relevante de endividamento e pressão de margens. A companhia continuou avançando na banda larga fixa, manteve posição de liderança no Nordeste, ampliou a base de clientes e acelerou a expansão do serviço móvel 4G/5G. Porém, os investimentos no móvel e na infraestrutura pesaram sobre custos, despesas, CAPEX e dívida. A leitura fundamentalista de 2024 é mista.
Brisanet teve em 2025 um ano de crescimento operacional relevante, avanço forte no serviço móvel 5G e melhora do EBITDA ajustado, mas com lucro líquido ainda pressionado pelo aumento da despesa financeira e pela estrutura de capital necessária para sustentar a expansão. A leitura fundamentalista de 2025 é de cautela construtiva. A companhia continuou crescendo receita, base de clientes de fibra, base móvel, cobertura 5G e geração operacional de caixa.
Resumo fundamentalista
A Brisanet iniciou 2026 com crescimento consistente de receita, EBITDA elevado, lucro líquido positivo, geração operacional de caixa relevante e forte expansão da base móvel. A companhia segue como uma empresa operacionalmente saudável, com posição forte em banda larga fixa no Nordeste, avanço no 5G regional e modelo verticalizado de infraestrutura.
A receita líquida consolidada foi de R$453,9 milhões no 1T26, crescimento de 15,9% em relação ao 1T25. O lucro bruto consolidado foi de R$197,4 milhões, acima dos R$169,1 milhões do 1T25, mantendo margem bruta próxima de 43%. O EBITDA divulgado foi de R$191,8 milhões, com margem de 42%. O lucro líquido consolidado foi de R$19,1 milhões, levemente abaixo dos R$20,4 milhões do 1T25.
O principal ponto positivo do trimestre foi a combinação de crescimento com geração de caixa. A companhia informou geração de caixa operacional de R$224,9 milhões, equivalente a 117% do EBITDA do período. Na DFC consolidada, o caixa líquido das atividades operacionais foi positivo em R$119,8 milhões, mesmo após pagamento de juros e impostos.
A operação móvel foi o principal motor de expansão. A base móvel atingiu 953,5 mil acessos no fim do 1T26, crescimento de 111,1% em relação ao 1T25. Em abril de 2026, a companhia já havia alcançado 990 mil clientes móveis, presente em 320 cidades e cobrindo mais de 15,6 milhões de habitantes. Esse avanço reforça a estratégia de virar uma operadora regional convergente, combinando fibra, FWA e móvel.
A ressalva é que o crescimento móvel ainda pressiona margens e endividamento. A margem EBITDA caiu de 47% no 1T25 para 42% no 1T26, principalmente por custos de roaming, energia elétrica, expansão da infraestrutura móvel e maior provisão para contingências. A dívida líquida subiu para R$1,693 bilhão, e a alavancagem ficou em 2,24x EBITDA UDM.
A leitura central para o usuário é que Brisanet deve ser classificada como cautela com viés positivo. A empresa cresce, gera caixa, mantém lucro e tem operação sólida, mas ainda carrega dívida relevante, margem pressionada pela expansão móvel e CAPEX alto.
Pontos de atenção
O principal risco é a pressão de margem na expansão móvel. A base móvel cresce rapidamente, mas ainda aumenta custos de roaming, energia, interconexão, infraestrutura e operação. A margem EBITDA caiu de 47% para 42%, e o agente deve acompanhar se a escala móvel começará a melhorar a rentabilidade nos próximos trimestres.
O segundo risco é o endividamento. A dívida líquida de R$1,693 bilhão e a alavancagem de 2,24x EBITDA UDM são administráveis, mas relevantes. Em telecom, o modelo exige CAPEX constante, e a expansão móvel pode manter pressão sobre caixa e dívida.
O terceiro risco é o resultado financeiro. O resultado financeiro consolidado foi negativo em R$46,7 milhões, pior que os R$38,7 milhões negativos do 1T25. As despesas financeiras cresceram para R$99,6 milhões. Esse ponto reduziu o lucro líquido, apesar do crescimento operacional.
O quarto risco é o CAPEX. A companhia segue investindo em fibra, móvel, equipamentos, data centers, rede e frequências. O fluxo de investimento teve adições relevantes ao imobilizado e intangível. O crescimento depende de investimento contínuo, e o retorno precisa aparecer em ARPU, base, margem e caixa.
O quinto risco é a maturação da base fixa. A adição de homes connected foi menor que no 1T25, o que pode indicar uma base mais madura ou crescimento mais difícil em algumas regiões. O crescimento futuro depende cada vez mais de móvel, B2B, FWA, upsell e serviços adicionais.
Também permanecem riscos ligados à competição, preços de telecom, inadimplência, qualidade de serviço, churn, obrigações regulatórias, leilão de espectro, custos de energia, roaming, execução da expansão 5G, derivativos e custo de capital.
Leitura final
A Brisanet no 1T26 deve ser lida como uma empresa em crescimento, mas ainda com cautela financeira. Segue expandindo receita, base móvel, banda larga, B2B e ARPU, além de manter EBITDA elevado, lucro líquido positivo e geração operacional de caixa relevante. A operação é sólida e tem diferenciais estruturais, como rede própria, verticalização e forte presença regional.
A ressalva é que a expansão móvel ainda pressiona margens e exige investimentos. A dívida líquida aumentou, a alavancagem permaneceu acima de 2x EBITDA, o resultado financeiro piorou e a margem EBITDA caiu em relação ao 1T25. A companhia parece saudável, mas a tese depende de transformar crescimento móvel em rentabilidade e caixa livre.
Para o usuário, Brisanet deve ser classificada como cautela, com viés positivo. A empresa não tem perfil de ativo de risco elevado, pois é lucrativa, gera caixa, tem patrimônio líquido positivo e cresce de forma consistente. Porém, o sinal ainda não deve ser verde enquanto a expansão móvel continuar pressionando margem, CAPEX e dívida.