Neutro / cautela

BIED3

Bioma Educação

1T/2026

Educação

Serviços educacionais

Matriz: São Paulo - SP

Atua na prestação de serviços de educação básica de alta qualidade, focando na gestão e aquisição de escolas de ensino infantil, fundamental e médio com propostas pedagógicas construtivistas e humanistas. O modelo de negócios da companhia baseia-se na consolidação de colégios tradicionais de elite (como a Escola da Vila em São Paulo e o Colégio Parque em Salvador), gerando receita recorrente por meio de mensalidades e anuidades escolares, com foco na eficiência administrativa compartilhada e na expansão de vagas e cursos extracurriculares nessas unidades.

← Voltar para a lista
Total de ações 26.633.197
Ações ordinárias 26.633.197
Ações preferenciais Não
Free float 6.096.278 — 22,89%
Maior acionista JV Educação FI — 28,64%
Tesouraria Não

Data: 2026-05-29

R$ 7,73
0,00% no dia
R$ 10,04 R$ 2,90
2024 2026
Valor de mercado R$ 211,26 mi
Volume 200
P/L externo -
Dividend yield 12m 0,00%
DIVIDENDO
12/05/2017
R$ 0,64
DIVIDENDO
23/04/2015
R$ 0,50
DIVIDENDO
30/04/2014
R$ 1,00
DIVIDENDO
28/03/2013
R$ 1,00

Análise de preço da ação

Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.

descontada com risco
P/L -3,4x
EV/EBITDA 46,6x
P/VP 3,8x
Dividend yield 12m 0,00%
Data da análise 27/06/2026

Desconto relevante, mas patrimônio frágil e lucro ainda ausente

A Bioma Educação apresenta valor de mercado de R$211,3 mi, com múltiplos distorcidos pelo prejuízo anual de R$61,6 mi em 2025: P/L negativo de -3,4x, EV/EBITDA de 46,6x e P/VP de 3,8x. A cotação de R$7,73 está cerca de 60% acima da mínima de 52 semanas (R$2,71), mas 30% abaixo da máxima (R$11,00). Após a venda da Escola Mais e do Intergraus, a companhia ficou mais concentrada nas escolas premium, com receita crescendo 9,6% no 1T26 e resultado operacional virando positivo em R$6,1 mi. O EBITDA do ano foi de apenas R$5,3 mi e o histórico 2021–2025 registra piora: EBITDA deteriorou, prejuízo em mais de um ano e alavancagem elevada (dívida líquida/EBITDA de 6,4x).

O risco é elevado. A controladora teve prejuízo de R$2,6 mi no 1T26 e patrimônio líquido individual de apenas R$16,5 mi, com prejuízos acumulados de R$378,4 mi negativos. O caixa individual era de R$851 mil, o fluxo operacional individual foi negativo em R$972 mil e o passivo circulante ficou muito acima do ativo circulante. Apesar da melhora operacional recente, a fragilidade patrimonial, a dependência de captação e a ausência de lucro recorrente mantêm cautela elevada. O desconto no valor de mercado existe, mas precisa ser acompanhado da confirmação de rentabilidade sustentável e recomposição patrimonial nos próximos trimestres.

Indicadores principais

Receita líquida R$ 85.560
EBITDA R$ 13.850
Lucro líquido R$ -1.226
Dívida líquida R$ 31.460
Margem líquida -1,43%
FCO R$ 16.118

Bioma Educação melhora operação no 1T26 e reduz prejuízo para R$1,2 milhão, mas fragilidade patrimonial e baixo caixa mantêm a tese sob sinal amarelo de cautela.

A Bioma Educação apresentou melhora operacional relevante no 1T26 após a simplificação do portfólio. A receita líquida consolidada foi de R$85,6 milhões, o resultado antes do financeiro e tributos consolidado virou positivo em R$6,1 milhões, o resultado financeiro consolidado melhorou para negativo em R$6,5 milhões e o prejuízo consolidado caiu para R$1,2 milhão. A companhia também mostrou crescimento de 9,6% na receita líquida das escolas premium em base comparável e reduziu muito o prejuízo atribuído à controladora, de R$18,5 milhões para R$2,6 milhões. Mesmo assim, a postura deve ser de cautela elevada porque a controladora ainda teve prejuízo, o fluxo operacional individual foi negativo em R$972 mil, o patrimônio líquido individual caiu para R$16,5 milhões, os prejuízos acumulados chegaram a R$378,4 milhões negativos, o caixa individual ainda era baixo em R$851 mil e o passivo circulante individual ficou muito acima do ativo circulante. O sinal é amarelo porque há melhora operacional real, mas a fragilidade patrimonial e de liquidez ainda impede uma leitura verde.

Trajetória recente

Demonstrações Financeiras 2021

A Bioma Educação encerrou 2021 em um ano de transição importante. A companhia avançou na consolidação das escolas adquiridas desde 2017, fortaleceu a estratégia de educação básica, ampliou a Escola Mais, incorporou as Escolas Internacionais de Santa Catarina e começou 2022 com uma base de alunos maior. A estratégia da companhia estava organizada em três perfis pedagógicos: escolas contemporâneas, escolas internacionais/bilíngues e Escola Mais.

Demonstrações Financeiras 2022

Bioma Educação encerrou 2022 com crescimento relevante de escala, mas ainda sem comprovar virada financeira. O ano teve avanço forte de receita nas escolas premium, expansão da Escola Mais, aumento da base de alunos e retorno mais pleno das atividades escolares após os impactos mais severos da pandemia. A receita líquida consolidada foi de R$353,9 milhões em 2022. O crescimento veio principalmente das escolas premium, que alcançaram receita líquida de R$305,1 milhões, e da Escola Mais, que alcançou receita líquida de R$48,8 milhões.

Demonstrações Financeiras 2023

A Bioma Educação encerrou 2023 com melhora operacional relevante e redução expressiva do risco financeiro, mas ainda sem chegar a uma posição plenamente confortável. O ano foi marcado por reestruturação da Escola Mais, venda do Colégio BIS, redução do endividamento líquido, melhora do resultado operacional e queda muito forte do prejuízo. A receita líquida gerencial atingiu R$377,7 milhões em 2023, alta de 5,7% frente a 2022. Considerando a receita do BIS em dezembro, mês que deixou de ser consolidado após a venda, o crescimento comparável teria sido de 6,6%.

Demonstrações Financeiras 2024

Bioma Educação encerrou 2024 com uma leitura operacional dividida. As escolas premium melhoraram receita, margem e resultado operacional, enquanto a Escola Mais avançou muito na redução do prejuízo. Porém, a controladora registrou prejuízo elevado, queda de patrimônio líquido, caixa individual praticamente zerado e nova pressão de equivalência patrimonial. A receita líquida das escolas premium foi de R$311,9 milhões em 2024, crescimento de 7,3% frente a 2023 em base gerencial, excluindo BIS em 2023.

Demonstrações Financeiras 2025

Bioma Educação encerrou 2025 em um ano de transformação estrutural do portfólio. A companhia vendeu as unidades remanescentes da Escola Mais em abril e vendeu o cursinho pré-vestibular Intergraus em setembro, concluindo o ciclo de ajuste iniciado nos anos anteriores. Depois desses desinvestimentos, a Bioma Educação passou a ficar mais concentrada nas escolas premium contemporâneas e internacionais. Essa mudança reduz a complexidade operacional e tira do consolidado operações que consumiam resultado e exigiam atenção gerencial.

Resumo fundamentalista

A Bioma Educação iniciou 2026 com uma leitura operacional melhor do que a de 2025, refletindo a simplificação do portfólio após a venda da Escola Mais e do Intergraus. A companhia passou a operar com foco mais claro nas escolas premium contemporâneas e internacionais, reduzindo a exposição a operações que consumiam resultado e exigiam reestruturação.

A receita líquida consolidada foi de R$85,6 milhões no 1T26, contra R$84,6 milhões no 1T25. O crescimento de 1,2% é modesto na comparação consolidada, mas precisa ser lido com cuidado porque o 1T25 ainda incluía operações que foram desinvestidas ao longo de 2025.

A administração apresentou a comparação gerencial das escolas premium, segregando Escola Mais e Intergraus na coluna “Outros” do 1T25. Nessa leitura, a receita líquida das escolas premium cresceu 9,6%, atingindo R$85,6 milhões.

O primeiro trimestre é especialmente importante para educação básica, porque o ciclo de matrículas e rematrículas já está consolidado. Por isso, a receita do 1T26 ajuda a indicar o patamar de receita do ano letivo.

O lucro bruto consolidado foi de R$43,4 milhões, contra R$50,5 milhões no 1T25. A queda do lucro bruto e da margem bruta mostra pressão de custos no trimestre, mesmo com melhora em outras linhas operacionais.

As despesas gerais e administrativas consolidadas caíram para R$37,1 milhões, contra R$44,2 milhões no 1T25. Essa redução é positiva e reflete o efeito da simplificação do portfólio, da integração das escolas e da redução de despesas recorrentes.

As outras despesas operacionais consolidadas caíram para R$2 milhões, contra R$17 milhões no 1T25. Essa melhora foi decisiva para a virada do resultado operacional consolidado.

O resultado antes do financeiro e tributos consolidado ficou positivo em R$6,1 milhões, contra negativo em R$7,2 milhões no 1T25. Esse é o principal sinal positivo do trimestre.

O resultado financeiro consolidado foi negativo em R$6,5 milhões, melhor que o negativo de R$9,9 milhões no 1T25. As despesas financeiras consolidadas caíram para R$7,4 milhões, contra R$10,8 milhões. A melhora reduz a pressão sobre o resultado final.

O prejuízo consolidado foi de R$1,2 milhão, contra prejuízo de R$17,1 milhões no 1T25. O prejuízo atribuído aos sócios da controladora foi de R$2,6 milhões, contra prejuízo de R$18,5 milhões no 1T25.

No individual, a controladora teve prejuízo de R$2,6 milhões, também melhor que o prejuízo de R$18,5 milhões do 1T25. A equivalência patrimonial negativa caiu para R$1 milhão, contra negativa em R$16,2 milhões no 1T25.

A melhora do prejuízo é relevante, mas a estrutura patrimonial segue frágil. O patrimônio líquido individual caiu para R$16,5 milhões, contra R$19,1 milhões no fim de 2025. Os prejuízos acumulados subiram para R$378,4 milhões negativos.

O caixa individual subiu para R$851 mil, contra R$66 mil no fim de 2025. No consolidado, o caixa subiu para R$18,5 milhões, contra R$12,1 milhões. A melhora de caixa é positiva, mas ainda não elimina a fragilidade patrimonial.

O fluxo operacional individual foi negativo em R$972 mil, contra positivo em R$2,3 milhões no 1T25. A piora mostra que a controladora ainda não estabilizou geração de caixa operacional própria.

A leitura central para o usuário é de melhora operacional com cautela elevada. A Bioma Educação parece mais focada e menos pressionada pelas operações desinvestidas, mas ainda tem prejuízo, patrimônio líquido muito baixo, passivo circulante acima do ativo circulante individual e necessidade de provar lucro e caixa recorrente.

Pontos de atenção

O primeiro risco é o prejuízo ainda recorrente. A Bioma Educação teve prejuízo consolidado de R$1,2 milhão e prejuízo atribuído à controladora de R$2,6 milhões.

O segundo risco é o patrimônio líquido individual muito baixo. O patrimônio caiu para R$16,5 milhões.

O terceiro risco é o histórico de prejuízos acumulados. Os prejuízos acumulados chegaram a R$378,4 milhões negativos.

O quarto risco é o fluxo operacional individual negativo. A controladora consumiu R$972 mil em caixa operacional.

O quinto risco é o passivo circulante individual maior que o ativo circulante. O ativo circulante foi de R$3,1 milhões, contra passivo circulante de R$15,8 milhões.

O sexto risco é o passivo circulante consolidado elevado. O passivo circulante consolidado foi de R$213,5 milhões, muito acima do ativo circulante de R$51,2 milhões.

O sétimo risco é a concentração em obrigações fiscais. As obrigações fiscais consolidadas circulantes somavam R$114,3 milhões.

O oitavo risco é a dívida tributária consolidada. As dívidas tributárias circulantes eram de R$108,2 milhões.

O nono risco é a dívida financeira e arrendamentos. O consolidado tinha empréstimos e financiamentos relevantes e passivos de arrendamento de curto e longo prazo.

O décimo risco é o intangível elevado. O intangível consolidado era de R$178,4 milhões e depende da capacidade futura de geração de caixa das escolas.

O décimo primeiro risco é a dependência das escolas premium. Após a venda da Escola Mais e do Intergraus, a tese fica mais concentrada no desempenho desse núcleo.

O décimo segundo risco é a baixa liquidez da ação. O free float limitado e a base de investidores pequena podem reduzir volume negociado e aumentar volatilidade.

Leitura final

O 1T26 foi melhor para a Bioma Educação do que os períodos anteriores. A companhia entrou em um novo perímetro mais simples, concentrado nas escolas premium, e mostrou crescimento de receita comparável, redução de despesas, resultado operacional consolidado positivo e queda expressiva do prejuízo.

A leitura ainda não é confortável. O prejuízo continua, o fluxo operacional individual voltou a ser negativo, o patrimônio líquido individual ficou muito baixo e os passivos fiscais, financeiros e de arrendamento ainda são relevantes.

Para o usuário, o trimestre deve ser interpretado como avanço na recuperação, mas não como virada completa. A Bioma Educação ficou mais focada e operacionalmente melhor, porém ainda precisa provar que o novo portfólio premium consegue gerar lucro recorrente, caixa positivo, recomposição patrimonial e menor dependência de financiamento e renegociações.

Privacidade & Cookies
Utilizamos cookies próprios e de parceiros para medir o desempenho das campanhas e melhorar sua experiência. Ao aceitar, você autoriza a coleta de dados conforme a LGPD — Lei 13.709/2018.