A Bioma Educação iniciou 2026 com uma leitura operacional melhor do que a de 2025, refletindo a simplificação do portfólio após a venda da Escola Mais e do Intergraus. A companhia passou a operar com foco mais claro nas escolas premium contemporâneas e internacionais, reduzindo a exposição a operações que consumiam resultado e exigiam reestruturação.
A receita líquida consolidada foi de R$85,6 milhões no 1T26, contra R$84,6 milhões no 1T25. O crescimento de 1,2% é modesto na comparação consolidada, mas precisa ser lido com cuidado porque o 1T25 ainda incluía operações que foram desinvestidas ao longo de 2025.
A administração apresentou a comparação gerencial das escolas premium, segregando Escola Mais e Intergraus na coluna “Outros” do 1T25. Nessa leitura, a receita líquida das escolas premium cresceu 9,6%, atingindo R$85,6 milhões.
O primeiro trimestre é especialmente importante para educação básica, porque o ciclo de matrículas e rematrículas já está consolidado. Por isso, a receita do 1T26 ajuda a indicar o patamar de receita do ano letivo.
O lucro bruto consolidado foi de R$43,4 milhões, contra R$50,5 milhões no 1T25. A queda do lucro bruto e da margem bruta mostra pressão de custos no trimestre, mesmo com melhora em outras linhas operacionais.
As despesas gerais e administrativas consolidadas caíram para R$37,1 milhões, contra R$44,2 milhões no 1T25. Essa redução é positiva e reflete o efeito da simplificação do portfólio, da integração das escolas e da redução de despesas recorrentes.
As outras despesas operacionais consolidadas caíram para R$2 milhões, contra R$17 milhões no 1T25. Essa melhora foi decisiva para a virada do resultado operacional consolidado.
O resultado antes do financeiro e tributos consolidado ficou positivo em R$6,1 milhões, contra negativo em R$7,2 milhões no 1T25. Esse é o principal sinal positivo do trimestre.
O resultado financeiro consolidado foi negativo em R$6,5 milhões, melhor que o negativo de R$9,9 milhões no 1T25. As despesas financeiras consolidadas caíram para R$7,4 milhões, contra R$10,8 milhões. A melhora reduz a pressão sobre o resultado final.
O prejuízo consolidado foi de R$1,2 milhão, contra prejuízo de R$17,1 milhões no 1T25. O prejuízo atribuído aos sócios da controladora foi de R$2,6 milhões, contra prejuízo de R$18,5 milhões no 1T25.
No individual, a controladora teve prejuízo de R$2,6 milhões, também melhor que o prejuízo de R$18,5 milhões do 1T25. A equivalência patrimonial negativa caiu para R$1 milhão, contra negativa em R$16,2 milhões no 1T25.
A melhora do prejuízo é relevante, mas a estrutura patrimonial segue frágil. O patrimônio líquido individual caiu para R$16,5 milhões, contra R$19,1 milhões no fim de 2025. Os prejuízos acumulados subiram para R$378,4 milhões negativos.
O caixa individual subiu para R$851 mil, contra R$66 mil no fim de 2025. No consolidado, o caixa subiu para R$18,5 milhões, contra R$12,1 milhões. A melhora de caixa é positiva, mas ainda não elimina a fragilidade patrimonial.
O fluxo operacional individual foi negativo em R$972 mil, contra positivo em R$2,3 milhões no 1T25. A piora mostra que a controladora ainda não estabilizou geração de caixa operacional própria.
A leitura central para o usuário é de melhora operacional com cautela elevada. A Bioma Educação parece mais focada e menos pressionada pelas operações desinvestidas, mas ainda tem prejuízo, patrimônio líquido muito baixo, passivo circulante acima do ativo circulante individual e necessidade de provar lucro e caixa recorrente.