Ativo de risco

BHIA3 - Casas Bahia

1T/2026

Consumo cíclico

Eletrodomésticos e eletrônicos

Matriz: São Paulo - SP

Uma das maiores empresas do varejo de consumo do Brasil, operando uma das redes de comércio multicanal mais consolidadas do país. A companhia atua na comercialização e distribuição de móveis, eletrodomésticos, eletrônicos e utilidades domésticas por meio de centenas de lojas físicas de marcas tradicionais — como Casas Bahia e Pontofrio —, além de controlar plataformas robustas de e-commerce, uma malha logística nacional própria e o banco digital banQi para a oferta de crediário e serviços financeiros aos seus clientes.

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Total de ações 975.864.785
Ações ordinárias 975.864.785
Ações preferenciais Não
Free float 143.421.097 — 14,70%
Controlador Domus VII Participações S.A. — 85,30%
Tesouraria Não

Data: 2026-06-03

R$ 1,25
-0,79% no dia
R$ 425,80 R$ 1,25
2016 2026
Valor de mercado R$ 1,23 bi
Volume 2,55 mi
P/L externo -
Dividend yield 12m 0,00%
DIVIDENDO
26/04/2018
R$ 0,01
JCP
15/12/2017
R$ 0,03
DIVIDENDO
12/09/2016
R$ 0,00
DIVIDENDO
26/04/2016
R$ 0,00

Análise de preço da ação

Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.

descontada com risco
P/L -0,4x
EV/EBITDA 2,5x
P/VP 0,4x
Dividend yield 12m 0,00%
Data da análise 08/06/2026

Desconto com risco elevado

Com valor de mercado de R$1,23 bi e cotação de R$1,25 colada na mínima de 52 semanas (R$1,22, contra topo de R$5,48), o Grupo Casas Bahia aparece com múltiplos bastante comprimidos: P/VP de 0,4x, EV/EBITDA de 2,5x e P/L negativo de -0,4x, este último distorcido pelo prejuízo. O lado operacional ajuda a sustentar parte dessa leitura: em 2025 a receita subiu para R$29,2 bi, o EBITDA chegou a R$2,38 bi com margem em expansão, o GMV bateu recorde e a dívida líquida recuou para R$4,76 bi (2,0x EBITDA). No 1T26, a receita ainda cresceu 6,1% na comparação anual e a dívida líquida seguiu caindo, reforçando que a operação está em recuperação e não parada.

O desconto, porém, não é limpo e exige cautela. O último resultado anual fechou com prejuízo de R$2,99 bi e o 1T26 trouxe novo prejuízo de R$1,06 bi, com resultado financeiro pesado (R$1,17 bi negativo no trimestre), patrimônio líquido encolhendo para R$1,78 bi e geração de caixa muito dependente de fornecedores e risco sacado. Some-se a isso o histórico volátil com prejuízos recorrentes e o free float baixo de 14,7% sob controle de 85,3% da Domus VII, que reduz liquidez e amplia o risco de distorção de preço. Por isso a leitura é de desconto com risco elevado: os múltiplos comprimidos só fariam sentido se a melhora operacional se converter em lucro recorrente, caixa livre sustentável e alívio real do custo financeiro — algo que ainda precisa ser confirmado nos próximos trimestres.

Indicadores principais

Receita líquida R$ 7.416.000
EBITDA R$ 509.000
Lucro líquido R$ -1.064.000
Dívida líquida R$ 5.845.000
Margem líquida -14,35%
FCO R$ 3.825.000

Casas Bahia cresceu receita e EBITDA no 1T26, mas segue com prejuízo alto e juros pesados. Tese é de ativo de risco até converter em lucro e caixa.

A empresa deve seguir como ativo de risco. O 1T26 trouxe crescimento de receita, GMV, online, lucro bruto e EBITDA ajustado, além de redução relevante da dívida líquida em relação ao 1T25. Porém, a companhia ainda apresentou prejuízo líquido muito elevado, resultado financeiro pesado, patrimônio líquido em queda, capital circulante negativo, passivo circulante alto e geração de caixa muito dependente de fornecedores e risco sacado. O usuário deve acompanhar se a melhora operacional conseguirá se converter em lucro líquido recorrente, caixa livre sustentável e redução real do risco financeiro.

Trajetória recente

Demonstrações Financeiras 2021

A empresa, então Via S.A. e hoje Grupo Casas Bahia, encerrou 2021 em um ano de forte transformação estratégica, expansão digital e avanço do ecossistema, mas com deterioração relevante do resultado contábil. A companhia avançou na estratégia de deixar de ser apenas um varejista transacional para se posicionar como plataforma relacional, combinando lojas físicas, marketplace, serviços financeiros, logística, sellers e canais digitais. O ano teve crescimento de GMV, expansão do marketplace, aumento da participação digital, avanço do BanQi, fortalecimento da logística e abertura líquida de lojas.

Demonstrações Financeiras 2022

Casas Bahia encerrou 2022 ainda em processo de transformação estratégica, com avanço em marketplace, serviços financeiros, logística e omnicanalidade, mas com resultado líquido novamente negativo e forte pressão financeira. A companhia manteve receita consolidada praticamente estável em relação a 2021, melhorou lucro bruto e voltou a apresentar resultado operacional positivo antes do financeiro, mas o peso do resultado financeiro levou a novo prejuízo líquido. O ano foi desafiador para o varejo.

Demonstrações Financeiras 2023

Casas Bahia encerrou 2023 em um ano de forte deterioração contábil, apesar de avanços relevantes no Plano de Transformação e na gestão de capital de giro. A companhia reduziu receita, lucro bruto e patrimônio líquido, voltou a apresentar resultado operacional negativo e registrou prejuízo líquido muito elevado. Ao mesmo tempo, aumentou caixa, reduziu estoques, reduziu contas a receber, reduziu CAPEX e avançou na simplificação da estrutura. O ano marcou uma mudança de foco estratégico.

Demonstrações Financeiras 2024

Casas Bahia encerrou 2024 com sinais claros de melhora operacional em relação a 2023, mas ainda em situação financeira frágil e com prejuízo relevante. O ano foi marcado pela continuidade do Plano de Transformação, com melhora de margem bruta, redução de despesas, recuperação parcial do resultado operacional, menor pressão do resultado financeiro e prejuízo líquido menor. Mesmo assim, a companhia continuou com receita menor, patrimônio líquido em queda, dívida relevante, forte uso de fornecedores/risco sacado e dependência de execução para voltar a um patamar saudável.

Demonstrações Financeiras 2025

Casas Bahia encerrou 2025 com melhora operacional relevante, crescimento de receita, avanço de margem EBITDA ajustada e reestruturação importante da estrutura de capital, mas ainda com prejuízo líquido muito elevado e forte pressão financeira. A companhia mostrou sinais claros de execução do Plano de Transformação, com crescimento do GMV, melhora do EBIT, maior eficiência operacional e redução relevante da dívida líquida ajustada. Mesmo assim, o resultado final continuou muito negativo. A receita líquida consolidada cresceu de R$27,206 bilhões em 2024 para R$29,197 bilhões em 2025.

Resumo fundamentalista

A Casas Bahia iniciou 2026 com crescimento de GMV, receita, lucro bruto e EBITDA ajustado, além de redução relevante da dívida líquida em relação ao 1T25. Porém, a companhia ainda apresentou prejuízo líquido muito elevado, resultado financeiro pesado, patrimônio líquido menor e forte dependência da dinâmica de capital de giro e fornecedores.

A receita líquida consolidada foi de R$7,416 bilhões no 1T26, crescimento de 6,1% em relação ao 1T25. A receita bruta consolidada foi de R$8,830 bilhões, alta de 6,4%. O GMV consolidado avançou 5%, para R$11,2 bilhões. O e-commerce cresceu 14,6%, com destaque para o 1P online, que cresceu 27,4%. As lojas físicas tiveram leve retração de 1,6%, após base forte de comparação no 1T25.

A margem bruta ficou praticamente estável, em 30,3%, contra 30,2% no 1T25. O lucro bruto consolidado foi de R$2,247 bilhões, acima dos R$2,109 bilhões do 1T25. O EBITDA ajustado divulgado pela administração foi de R$597 milhões, crescimento de 4,7%, com margem de 8,1%. Esses pontos mostram que a operação segue melhorando em escala, margem e eficiência.

A grande ressalva é que o resultado financeiro continuou muito pesado. O resultado financeiro consolidado foi negativo em R$1,171 bilhão, pior que os R$922 milhões negativos do 1T25. Mesmo com crescimento de receita e manutenção de margem, o LAIR ficou negativo em R$921 milhões, e o prejuízo líquido consolidado foi de R$1,064 bilhão, contra prejuízo de R$408 milhões no 1T25.

A leitura central para o usuário é que Casas Bahia segue como ativo de risco. A companhia mostrou melhora operacional e redução relevante da dívida líquida em relação ao ano anterior, mas ainda não conseguiu transformar a recuperação em lucro líquido. Juros altos, resultado financeiro, estrutura de capital, capital de giro e dependência de fornecedores continuam sendo os principais pontos críticos.

Pontos de atenção

O principal risco é a persistência do prejuízo líquido. Mesmo com receita maior, lucro bruto maior e EBITDA ajustado positivo, a companhia registrou prejuízo líquido consolidado de R$1,064 bilhão. Isso mostra que a recuperação operacional ainda não cobre o custo financeiro e demais pressões abaixo do EBITDA.

O segundo risco é o resultado financeiro. O resultado financeiro negativo de R$1,171 bilhão foi muito superior ao resultado antes do financeiro e dos tributos, de R$250 milhões. Enquanto essa dinâmica persistir, a companhia terá dificuldade de gerar lucro líquido recorrente.

O terceiro risco é a estrutura de capital de giro. O caixa operacional positivo dependeu fortemente de fornecedores, enquanto o fluxo de financiamento teve pagamento muito elevado de risco sacado. O agente deve evitar interpretar o caixa operacional isoladamente como sinal de conforto financeiro.

O quarto risco é o patrimônio líquido em queda. O patrimônio líquido consolidado caiu para R$1,778 bilhão. A continuidade de prejuízos reduz a margem de segurança patrimonial e aumenta a sensibilidade a novos choques operacionais ou financeiros.

O quinto risco é o crédito ao consumidor. A carteira de crediário é relevante, mas o PDD aumentou. Em ambiente de juros altos, inflação e consumo pressionado, a qualidade da carteira precisa ser acompanhada de perto.

Também permanecem riscos ligados a juros elevados, consumo, crédito, fornecedores, risco sacado, FIDCs, arrendamentos, demandas judiciais, contas a receber, estoques, marketplace, execução do Plano de Transformação e capacidade de transformar GMV em lucro líquido e caixa livre mais limpo.

Leitura final

A Casas Bahia no 1T26 deve ser lida como uma companhia em recuperação operacional, mas ainda em situação fundamentalista de alto risco. O trimestre trouxe crescimento de receita, GMV, online, lucro bruto e EBITDA ajustado, além de redução relevante da dívida líquida em relação ao 1T25. Esses pontos mostram que o Plano de Transformação continua gerando avanços.

A ressalva é que o resultado final continuou muito fraco. O prejuízo líquido aumentou, o resultado financeiro permaneceu extremamente pesado, o patrimônio líquido caiu e a geração de caixa dependeu muito da dinâmica de fornecedores e risco sacado. A empresa ainda precisa provar que a melhora operacional será suficiente para cobrir juros, reduzir risco financeiro e gerar lucro recorrente.

Para o usuário, Casas Bahia deve continuar classificada como ativo de risco. O sinal operacional melhorou, mas o balanço e o resultado financeiro ainda exigem cautela elevada. Os próximos trimestres devem acompanhar margem EBITDA, resultado financeiro, lucro líquido, caixa livre, risco sacado, fornecedores, PDD do crediário, estoques, contas a receber e evolução da dívida líquida.

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