Neutro / cautela

AZZA3 - Azzas 2154

1T/2026

Consumo cíclico

Tecidos, vestuário e calçados

Matriz: Belo Horizonte - MG

Maior grupo de moda e varejo premium da América Latina, nascido a partir da fusão estratégica entre as gigantes Arezzo&Co e o Grupo Soma. A companhia opera como uma plataforma de marcas (house of brands) dedicada ao design, industrialização e comercialização multicanal de calçados, bolsas, peças de vestuário e acessórios. Seu portfólio robusto engloba marcas de forte prestígio nacional e internacional, cobrindo diferentes segmentos de consumidores através de redes como Arezzo, Schutz, Anacapri, Alexandre Birman, Farm, Animale, Hering e Reserva.

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Total de ações 206.489.813
Ações ordinárias 206.489.813
Ações preferenciais Não
Free float 130.886.127 — 63,39%
Maior acionista Alexandre Café Birman — 10,40%
Tesouraria 4.460.180 — 2,16%

Data: 2026-05-29

R$ 17,05
-0,29% no dia
R$ 104,50 R$ 17,05
2016 2026
Valor de mercado R$ 3,53 bi
Volume 1,79 mi
P/L externo 4,3x
Dividend yield 12m 14,52%
DIVIDENDO
19/12/2025
R$ 1,58
DIVIDENDO
21/11/2025
R$ 0,89
JCP
06/12/2024
R$ 0,58
DIVIDENDO
10/07/2024
R$ 0,54

Análise de preço da ação

Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.

descontada com risco
P/L 3,9x
EV/EBITDA 3,1x
P/VP 0,4x
Dividend yield 12m 14,52%
Data da análise 09/06/2026

Desconto exige confirmação

Com valor de mercado de R$3,53 bi e cotação próxima da mínima de 52 semanas (R$16,92), a Azzas 2154 negocia com múltiplos comprimidos: P/L de 3,9x, EV/EBITDA de 3,1x e P/VP de 0,4x, este último indicando valor de mercado abaixo do patrimônio líquido de R$7,98 bi. O ano de 2025 sustenta parte dessa leitura, com receita de R$11,82 bi, EBITDA de R$1,84 bi, lucro líquido de R$911,2 mi e caixa operacional forte de R$1,07 bi, além de alavancagem ainda controlada (dívida líquida/EBITDA de 1,2x no fechamento anual). À primeira vista, é um desconto expressivo para uma plataforma de moda com marcas relevantes e free float de 63,4%, que dá liquidez sem controlador definido.

O desconto, porém, não é limpo e precisa de confirmação. O 1T26 mostrou piora: receita recuou cerca de 8% ante o 1T25, EBITDA recorrente caiu 23,2% com margem menor, o lucro líquido encolheu para R$38,6 mi e o resultado antes dos tributos ficou negativo, pressionado por um resultado financeiro ainda pesado e por debêntures de longo prazo em alta. Parte do lucro de 2025 dependeu de imposto diferido, e os intangíveis elevados mantêm risco de impairment. Assim, embora os múltiplos pareçam descontados, o que está fraco é a retomada de receita, a margem e a conversão recorrente de caixa — pontos que precisam melhorar antes de uma leitura mais positiva.

Indicadores principais

Receita líquida R$ 2.479.523
EBITDA R$ 311.350
Lucro líquido R$ 38.596
Dívida líquida R$ 2.180.768
Margem líquida 1,56%
FCO R$ -11.303

Azzas 2154 foca em eficiência, mas o 1T26 fraco traz cautela. O grupo ainda deve provar retomada do crescimento, disciplina financeira e conversão de caixa.

Azzas 2154 segue sendo uma plataforma relevante de moda e lifestyle, com marcas fortes, melhora de caixa gerencial, redução de ciclo operacional, menor CAPEX e controle de SG&A. Porém, o 1T26 trouxe queda de receita, EBITDA menor, lucro líquido mais fraco, resultado antes dos tributos negativo e resultado financeiro ainda pesado. A leitura é neutra/cautelosa: há potencial de melhora se o reequilíbrio sell-out/sell-in fortalecer a qualidade da operação, mas a empresa ainda precisa comprovar retomada de crescimento, disciplina financeira e conversão recorrente de caixa.

Trajetória recente

Demonstrações Financeiras 2021

O ano de 2021 foi um período de forte recuperação e expansão para a Arezzo&Co, atual Azzas 2154. Depois de um 2020 pressionado pela pandemia, a companhia retomou crescimento, aumentou receita, elevou lucro, avançou em canais digitais e reforçou sua estratégia de construção de portfólio de marcas. A leitura operacional é positiva. A receita líquida consolidada cresceu de R$1,6 bilhão em 2020 para R$2,9 bilhões em 2021.

Demonstrações Financeiras 2022

O ano de 2022 foi mais um período de crescimento forte para a Arezzo&Co, atual Azzas 2154. A companhia continuou expandindo receita, lucro bruto, lucro líquido e escala operacional, consolidando a estratégia de plataforma de marcas de moda, calçados, bolsas, vestuário e lifestyle. A leitura operacional é positiva. A receita líquida consolidada cresceu de R$2,9 bilhões em 2021 para R$4,2 bilhões em 2022.

Demonstrações Financeiras 2023

O ano de 2023 foi um período de crescimento mais moderado para a Arezzo&Co, atual Azzas 2154. A companhia continuou aumentando receita e lucro bruto, ampliou sua plataforma multimarcas e manteve lucro líquido elevado, mas a rentabilidade final recuou em relação a 2022 por causa de maior pressão financeira e aumento da complexidade operacional. A leitura operacional é positiva, mas menos forte que nos anos anteriores. A receita líquida consolidada cresceu de R$4,2 bilhões em 2022 para R$4,8 bilhões em 2023.

Demonstrações Financeiras 2024

O ano de 2024 foi transformacional para a Azzas 2154. A companhia passou por uma mudança estrutural de escala, com combinação de negócios, aumento expressivo de ativos, patrimônio líquido, reservas de capital, intangíveis, marcas, ágio, estoques, contas a receber, dívida, debêntures e arrendamentos. A leitura operacional é de crescimento forte em tamanho, mas com cautela na qualidade do resultado. A receita líquida consolidada avançou de R$4,8 bilhões em 2023 para R$8,4 bilhões em 2024.

Demonstrações Financeiras 2025

O ano de 2025 foi um período de recuperação relevante para a Azzas 2154 após a transformação estrutural de 2024. A companhia seguiu operando em escala muito maior, com receita, lucro bruto, resultado operacional, lucro líquido e caixa operacional em patamar superior ao ano anterior. A leitura operacional é positiva. A receita líquida consolidada avançou de R$8,4 bilhões em 2024 para R$11,8 bilhões em 2025.

Resumo fundamentalista

O 1T26 foi um trimestre de desaceleração operacional para a Azzas 2154, após a forte recuperação contábil e de caixa observada em 2025. A companhia continuou operando uma plataforma grande de moda, calçados, bolsas e lifestyle, mas apresentou queda de receita, lucro bruto, resultado operacional e lucro líquido frente ao 1T25.

A receita líquida consolidada caiu de R$2,7 bilhões no 1T25 para R$2,5 bilhões no 1T26. O lucro bruto consolidado recuou de R$1,5 bilhão para R$1,4 bilhão. O resultado antes do financeiro e dos tributos caiu de R$276,1 milhões para R$142,4 milhões. O lucro líquido consolidado caiu de R$117,8 milhões para R$38,6 milhões.

A leitura operacional é mista. Pelo release, a receita bruta foi de R$3,1 bilhões, queda de 4,4% contra o 1T25, impactada principalmente pelos canais de sell-in. A companhia destacou que priorizou o reequilíbrio da relação sell-out/sell-in do franqueado, o que ajuda a explicar a queda de receita no curto prazo, mas pode melhorar qualidade de estoque e sustentabilidade do canal.

O principal ponto positivo do trimestre foi o caixa gerencial. A administração destacou geração de caixa operacional recorrente de R$148 milhões, contra consumo de caixa de R$50,3 milhões no 1T25. Também houve redução de 20 dias no ciclo operacional, com destaque para queda de 15 dias em dias de estoque, além de diligência em CAPEX e redução de SG&A.

Por outro lado, a rentabilidade caiu. O EBITDA recorrente informado no release foi de R$238,5 milhões, queda de 23,2%, com margem de 13,2%, redução de 2,7 pontos percentuais. A margem bruta ficou praticamente estável, mas a menor receita e o resultado financeiro mais pesado pressionaram o lucro final.

Portanto, o 1T26 deve ser tratado como um trimestre de ajuste: positivo em caixa, disciplina de capital e redução do ciclo operacional, mas negativo em crescimento, EBITDA, lucro líquido e resultado financeiro.

Pontos de atenção

O primeiro risco é a queda de receita. A receita líquida consolidada caiu frente ao 1T25, e a receita bruta gerencial recuou 4,4%. A companhia precisa provar que a queda é parte de um ajuste de qualidade e não início de uma tendência de demanda mais fraca.

O segundo risco é a queda do EBITDA. O EBITDA recorrente caiu 23,2%, e a margem EBITDA recuou 2,7 pontos percentuais. Mesmo com SG&A menor, a menor receita pressionou a alavancagem operacional.

O terceiro risco é o lucro líquido menor. O lucro líquido consolidado caiu de R$117,8 milhões para R$38,6 milhões. A queda mostra que a melhora de caixa não se traduziu em rentabilidade contábil no trimestre.

O quarto risco é o resultado financeiro. O resultado financeiro negativo piorou e continuou muito relevante. O lucro antes dos tributos ficou negativo, mostrando que a estrutura financeira ainda pesa muito sobre a companhia.

O quinto risco é a dívida e debêntures. As debêntures de longo prazo aumentaram no trimestre. Mesmo que isso alongue o perfil do passivo, a companhia precisa manter geração de caixa suficiente para suportar juros, principal, arrendamentos e investimentos.

O sexto risco é a dependência de ajuste de canal. A estratégia de reequilibrar sell-out/sell-in pode ser positiva, mas exige execução cuidadosa com franqueados, estoques, calendário de coleção e política comercial.

O sétimo risco é a baixa comparabilidade. A companhia passou por transformação estrutural em 2024 e ainda está em fase de consolidação da nova plataforma. O agente deve comparar 2026 com cautela, observando indicadores recorrentes, caixa e tendência por canal.

Leitura final

O 1T26 da Azzas 2154 mostrou uma companhia em ajuste. A plataforma segue grande e diversificada, com marcas fortes e alguns vetores positivos, como FARM Rio internacional e Arezzo no sell-out. A administração também mostrou disciplina relevante em caixa, CAPEX, SG&A e ciclo operacional.

A leitura fundamentalista, porém, não é de crescimento limpo. A receita caiu, o EBITDA caiu, o lucro líquido recuou e o resultado financeiro continuou pesado. O lucro antes dos tributos ficou negativo, e a melhora do lucro final dependeu de imposto diferido positivo.

Para o usuário, o 1T26 deve ser tratado com cautela. A companhia tem escala, marcas relevantes e sinais de disciplina operacional, mas ainda precisa confirmar retomada de receita, melhora de margem, redução do peso financeiro e conversão consistente de caixa. O principal ponto a acompanhar nos próximos trimestres é se o reequilíbrio sell-out/sell-in melhora a qualidade da operação sem sacrificar crescimento e rentabilidade.

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