A Azul iniciou 2026 com melhora operacional relevante, EBITDA positivo, receita recorde para um primeiro trimestre e avanço na reestruturação financeira. Mesmo assim, a leitura fundamentalista ainda exige cautela elevada, porque o lucro líquido contábil positivo foi fortemente influenciado por efeito de imposto de renda e contribuição social diferidos, e não representa normalização completa da geração recorrente da companhia.
A receita líquida consolidada foi de R$5,471 bilhões no 1T26, alta de 1,4% em relação ao 1T25. A companhia reportou EBITDA de R$1,699 bilhão no release, com margem de 31,1%, além de melhora de eficiência, queda de CASK e RASK recorde para o período.
Na DRE formal CVM/ITR, o lucro líquido consolidado foi positivo em R$6,020 bilhões. Esse dado pode ser mantido como número contábil oficial, mas não deve ser interpretado como lucro operacional recorrente. O resultado antes dos tributos foi negativo em R$1,493 bilhão, enquanto o imposto de renda e contribuição social diferidos tiveram efeito positivo de R$7,515 bilhões, explicando a maior parte do lucro líquido reportado.
Também há diferença entre o EBITDA calculado pela camada CVM formal, de R$2,612 bilhões, e o EBITDA divulgado pela companhia no release, de R$1,699 bilhão, por conta de ajustes de itens não recorrentes. Para análise econômica recorrente, o indicador ajustado do release é mais conservador.
A leitura final é que a Azul segue como ativo de risco. A operação melhorou, a liquidez foi reforçada e a reestruturação financeira avançou, mas a empresa ainda convive com patrimônio líquido negativo, dívida elevada, resultado financeiro pressionado e dependência de continuidade da recuperação operacional.