Neutro / cautela

AVLL3 - Alphaville

1T/2026

Construção civil

Incorporações

Matriz: São Paulo - SP

Uma das maiores empresas do Brasil focada no desenvolvimento urbano e planejamento de bairros residenciais e condomínios fechados de alto padrão. A companhia atua na aquisição de grandes glebas de terra, aprovação de projetos ambientais e urbanísticos, e na execução de obras de infraestrutura completa — como pavimentação, redes de água, esgoto, eletricidade, além de áreas de lazer e portarias —, comercializando lotes residenciais e comerciais diretamente para clientes finais e investidores.

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Total de ações 195.330.061
Ações ordinárias 195.330.061
Ações preferenciais Não
Free float 41.532.179 — 21,26%
Controlador Ulbrex SS FIPM — 95,89%
Tesouraria 195.330 — 0,10%

Data: 2026-05-29

R$ 0,57
3,64% no dia
R$ 16,43 R$ 0,55
2020 2026
Valor de mercado R$ 107,43 mi
Volume 2,40 mil
P/L externo -
Dividend yield 12m 0,00%

Análise de preço da ação

Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.

indefinida
P/L -1,0x
EV/EBITDA 5,0x
P/VP -0,6x
Dividend yield 12m 0,00%
Data da análise 12/06/2026

Múltiplos distorcidos, leitura travada

A Alphaville tem valor de mercado de R$107,43 mi, com cotação de R$0,57 muito próxima da mínima de 52 semanas (R$0,53) e bem abaixo da máxima de R$1,91, o que à primeira vista sugere ativo bastante descontado. O problema é que os múltiplos não sustentam uma leitura limpa: o P/L está negativo (-1,0x) por causa do prejuízo de R$105,5 mi em 2025, o P/VP é negativo (-0,6x) porque o patrimônio líquido está negativo em R$170,0 mi, e o EV/EBITDA de 5,0x convive com dívida líquida de R$564,3 mi e alavancagem de 4,2x. Operacionalmente há sinais de organização, com EBITDA positivo, margem em torno de 26% no ano e retomada de lançamentos, mas o quadro contábil distorce qualquer comparação de valuation tradicional.

Por isso a leitura fica indefinida, e não como desconto confiável. No 1T26 a receita caiu cerca de 11% contra o 1T25, o lucro bruto recuou, o prejuízo líquido aumentou para R$33,7 mi e o patrimônio líquido piorou para -R$208,5 mi, pressionado por um resultado financeiro pesado que supera o resultado operacional. A dívida líquida segue relevante (R$574 mi) e há excesso de passivo circulante sobre ativo circulante. O ponto positivo é o caixa operacional voltando ao positivo no trimestre e a revisão sem ressalva, mas a tese ainda depende de transformar o avanço comercial em lucro líquido recorrente e de aliviar o custo financeiro. Vale notar ainda que o controle é altamente concentrado, com free float de apenas 21,3% e liquidez baixa, o que amplifica a sensibilidade do valor de mercado a qualquer notícia.

Indicadores principais

Receita líquida R$ 110.469
EBITDA R$ 16.124
Lucro líquido R$ -33.676
Dívida líquida R$ 573.689
Margem líquida -30,48%
FCO R$ 22.547

Alphaville melhora lançamentos e caixa operacional em 2026, mas prejuízo líquido e patrimônio negativo mantêm risco financeiro elevado no setor imobiliário.

Alphaville iniciou 2026 com avanço comercial importante, forte crescimento de lançamentos e vendas, estoque renovado, EBITDA positivo, caixa operacional consolidado positivo e revisão especial sem ressalva. Porém, a companhia ainda apresentou prejuízo líquido, resultado financeiro elevado, patrimônio líquido negativo, dívida líquida relevante e queda de receita e lucro bruto frente ao 1T25. A leitura é de recuperação operacional em andamento, mas ainda com risco financeiro material e necessidade de comprovar lucro líquido recorrente.

Trajetória recente

Demonstrações Financeiras 2021

Alphaville encerrou 2021 com sinais operacionais de retomada, mas ainda com demonstrações financeiras bastante pressionadas. O ano foi marcado por avanço em lançamentos, vendas de estoque, retomada da demanda por lotes e continuidade do novo modelo de negócios implantado desde 2019. Porém, os efeitos do legado anterior a 2018, distratos, provisões, baixa margem bruta e alto custo financeiro ainda impediram melhora contábil relevante. No consolidado, a receita líquida subiu de R$180,2 milhões em 2020 para R$227,9 milhões em 2021.

Demonstrações Financeiras 2022

Encerrou 2022 com avanço operacional relevante no novo modelo de negócios, mas ainda com situação financeira e patrimonial muito frágil. A companhia ampliou lançamentos, consolidou a Alphaville Desenvolvimento Imobiliário como veículo dos projetos novos, mostrou margem positiva nessa operação e continuou avançando na finalização do legado. Porém, o resultado consolidado continuou negativo e o patrimônio líquido passou a ser negativo. No consolidado CVM, a receita líquida subiu de R$227,9 milhões em 2021 para R$265 milhões em 2022.

Demonstrações Financeiras 2023

Alphaville encerrou 2023 com melhora operacional expressiva, avanço da reestruturação e crescimento relevante de receita e lucro bruto. Porém, o consolidado continuou muito pressionado por despesas financeiras, efeitos da venda de participação societária, provisões e patrimônio líquido negativo. A receita líquida consolidada subiu de R$265 milhões em 2022 para R$474,4 milhões em 2023. O lucro bruto consolidado avançou de R$35,4 milhões para R$168,8 milhões.

Demonstrações Financeiras 2024

Alphaville encerrou 2024 com uma virada relevante em relação aos anos anteriores. O ano foi marcado pela consolidação da reestruturação financeira, aumento de capital, renegociação da dívida, redução da dívida líquida, melhora operacional e retorno ao lucro líquido consolidado. No consolidado CVM, a receita líquida subiu de R$478,6 milhões em 2023 para R$678,8 milhões em 2024. O lucro bruto consolidado avançou de R$164,2 milhões para R$263,6 milhões.

Demonstrações Financeiras 2025

Encerrou 2025 com sinais operacionais ainda positivos, mas sem repetir a virada contábil de 2024. A companhia manteve EBITDA positivo, margem bruta resiliente, reduziu despesas administrativas, realizou quatro lançamentos e entregou oito empreendimentos. Porém, o resultado financeiro voltou a pesar fortemente e levou o consolidado de volta ao prejuízo líquido. No consolidado CVM, a receita líquida caiu de R$678,8 milhões em 2024 para R$584,9 milhões em 2025.

Resumo fundamentalista

Alphaville iniciou 2026 com avanço comercial relevante e continuidade da execução operacional, mas ainda com resultado líquido negativo e pressão financeira elevada. O trimestre mostrou crescimento forte de lançamentos e vendas, estoque mais renovado, entregas relevantes e EBITDA positivo. Porém, a receita líquida e o lucro bruto caíram frente ao 1T25, o resultado financeiro continuou pesado e o prejuízo consolidado aumentou.

No consolidado CVM, a receita líquida caiu de R$124 milhões no 1T25 para R$110,4 milhões no 1T26. O lucro bruto caiu de R$46 milhões para R$38,3 milhões. O resultado antes do financeiro e dos tributos caiu de R$25,1 milhões para R$15,7 milhões.

O resultado financeiro permaneceu muito negativo, em -R$45,1 milhões, levemente pior que os -R$43,4 milhões do 1T25. Com isso, o resultado antes dos tributos foi negativo em R$29,4 milhões e o prejuízo líquido consolidado foi de R$33,6 milhões.

A administração destacou dois lançamentos no trimestre, somando R$305 milhões em VGV total e R$187 milhões no percentual AVLL, crescimento de 247% frente ao 1T25. As vendas brutas totalizaram R$173 milhões em VGV total, sendo R$105 milhões no percentual AVLL, alta de 88%.

A leitura central é mista. A operação comercial mostra retomada e o caixa operacional consolidado foi positivo, mas o resultado contábil ainda depende da redução do custo financeiro e da conversão do pipeline em receita, margem e lucro líquido recorrente.

Pontos de atenção

O primeiro ponto de atenção é o prejuízo líquido consolidado. O prejuízo aumentou de R$23,2 milhões no 1T25 para R$33,6 milhões no 1T26, apesar da melhora comercial.

O segundo ponto é o resultado financeiro. A despesa financeira líquida de R$45,1 milhões foi maior que o resultado operacional antes do financeiro e dos tributos. Enquanto isso persistir, a operação terá dificuldade de gerar lucro líquido recorrente.

O terceiro ponto é a queda de receita e lucro bruto. A receita líquida e o lucro bruto caíram frente ao 1T25, em função do estágio dos empreendimentos e do volume de projetos entregues no ano anterior.

O quarto ponto é o patrimônio líquido negativo. O patrimônio líquido consolidado piorou de R$169,9 milhões negativos no fim de 2025 para R$208,4 milhões negativos em março de 2026.

O quinto ponto é o excesso de passivo circulante sobre ativo circulante. As notas explicativas informam excesso de passivo circulante sobre ativo circulante no consolidado de R$110,2 milhões em 31 de março de 2026, contra R$49,6 milhões em 31 de dezembro de 2025. A administração explica que esse excesso é impactado pelo saldo de adiantamento de clientes, sem exigibilidade automática de pagamento, a ser realizado via reconhecimento de receita pelo método PoC.

O sexto ponto é a dívida líquida. A dívida líquida informada pela administração foi de R$574 milhões, ainda relevante para uma companhia que segue com patrimônio líquido negativo.

O sétimo ponto é positivo: o caixa operacional consolidado foi positivo, em contraste com o consumo observado no 1T25 e nos anos de 2024 e 2025.

O oitavo ponto é positivo: o relatório de revisão especial foi sem ressalva.

Leitura final

O 1T26 da Alphaville reforçou a melhora comercial da companhia, com forte crescimento em lançamentos, vendas e renovação do estoque. A empresa manteve EBITDA positivo, disciplina de despesas, caixa operacional positivo e um volume relevante de receita potencial futura.

Por outro lado, o trimestre também mostrou que a normalização financeira ainda não está completa. A receita e o lucro bruto caíram frente ao 1T25, o resultado financeiro seguiu pesado, o prejuízo líquido aumentou e o patrimônio líquido consolidado continuou negativo.

Para o usuário, o 1T26 deve ser lido como trimestre de avanço comercial e execução operacional, mas ainda com cautela financeira. A tese positiva está em lançamentos, vendas, REF, EBITDA e caixa operacional positivo. A cautela está no prejuízo líquido, dívida líquida, resultado financeiro, patrimônio líquido negativo e necessidade de transformar crescimento comercial em lucro recorrente.

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