Neutro / cautela

ANIM3

Ânima Holding

1T/2026

Educação

Serviços educacionais

Matriz: Belo Horizonte - MG

Atua na prestação de serviços educacionais no ensino superior, oferecendo cursos de graduação, pós-graduação e extensão por meio de um modelo híbrido que integra o ensino presencial e o digital. A companhia gerencia um amplo ecossistema de marcas de prestígio e centros universitários (como Una, UniBH, São Judas, Unicuritiba e a faculdade de medicina Inspirali), monetizando seu negócio principalmente através das mensalidades escolares, com foco estratégico em cursos de alta rentabilidade e na qualidade acadêmica integrada à empregabilidade dos estudantes.

← Voltar para a lista
Total de ações 403.868.805
Ações ordinárias 403.868.805
Ações preferenciais Não
Free float 256.720.748 — 63,57%
Maior acionista Daniel Castanho — 10,63%
Tesouraria 26.009.151 — 6,44%

Data: 2026-05-29

R$ 2,74
1,86% no dia
R$ 14,30 R$ 1,52
2016 2026
Valor de mercado R$ 1,07 bi
Volume 4,86 mi
P/L externo 7,7x
Dividend yield 12m 2,84%
DIVIDENDO
24/04/2026
R$ 0,08
DIVIDENDO
24/04/2025
R$ 0,05
DIVIDENDO
13/08/2024
R$ 0,47
DIVIDENDO
25/04/2019
R$ 0,01

Análise de preço da ação

Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.

descontada com risco
P/L 4,2x
EV/EBITDA 3,5x
P/VP 0,4x
Dividend yield 12m 2,84%
Data da análise 27/06/2026

Múltiplos comprimidos, mas pressão financeira e risco regulatório

A Ânima negocia com valor de mercado de R$1,07 bilhão e múltiplos bastante comprimidos: P/L de 4,2x, EV/EBITDA de 3,5x e P/VP de 0,4x. A cotação próxima da mínima de 52 semanas (R$2,51) reflete desconto considerável sobre os fundamentos anuais auditados de 2025, quando a companhia registrou lucro de R$257 milhões, EBITDA de R$1,4 bilhão e desalavancagem para 2,8x. O histórico recente mostra trajetória volátil, com prejuízo em mais de um ano da série entre 2021 e 2025, embora o último anual tenha sido lucrativo e o EBITDA tenha evoluído positivamente. No 1T26, a receita cresceu 7,7% e o lucro líquido avançou, mas com pressão de margem e pior resultado financeiro.

O desconto exige confirmação porque o resultado financeiro consolidado foi negativo em R$185,3 milhões no 1T26, as despesas financeiras consolidadas chegaram a R$259,4 milhões, os juros pagos no fluxo individual subiram para R$86,9 milhões e o fluxo operacional individual continua negativo. Além disso, o novo marco regulatório do ensino a distância impactou fortemente o Ensino Digital, com queda de 42,2% na atração da graduação digital e transição ainda incerta para o modelo semipresencial. Apesar da desalavancagem para 2,39x e dos avanços no Core e na Inspirali, o valuation está classificado como descontado com risco pela combinação de pressão financeira, regulatória e necessidade de melhora sustentada do fluxo de caixa.

Indicadores principais

Receita líquida R$ 1.120.403
EBITDA R$ 388.231
Lucro líquido R$ 138.951
Dívida líquida R$ 4.117.118
Margem líquida 12,40%
FCO R$ 293.482

Ânima cresce no 1T26 com lucro de R$106,2 milhões, mas alto custo da dívida e impacto do marco regulatório do EAD mantêm tese sob sinal amarelo.

A Ânima apresentou melhora operacional consistente no 1T26, com receita líquida consolidada de R$1,1 bilhão, EBITDA ajustado ex-IFRS16 de R$375,9 milhões, lucro líquido atribuível aos controladores de R$106,2 milhões e alavancagem menor, em 2,39x. O Ânima Core voltou a crescer bem, a Inspirali manteve receita em expansão e a companhia continuou reduzindo risco financeiro em relação aos anos pós-Laureate. Mesmo assim, a postura deve ser neutra/cautelosa porque o resultado financeiro consolidado ainda foi negativo em R$185,3 milhões, as despesas financeiras consolidadas foram de R$259,4 milhões, os juros pagos no fluxo individual subiram para R$86,9 milhões, o fluxo operacional individual ainda foi negativo e o Ensino Digital sofreu impacto relevante do novo marco regulatório, com queda de 42,2% na atração da graduação digital. O sinal é amarelo porque há crescimento e desalavancagem real, mas ainda existe risco financeiro, regulatório e de execução na transição para o semipresencial.

Trajetória recente

Demonstrações Financeiras 2021

A Ânima encerrou 2021 em um ano de transformação estrutural. O principal evento foi a conclusão da aquisição dos ativos brasileiros da Laureate, que ampliou fortemente a escala da companhia, adicionou marcas relevantes ao portfólio e mudou o tamanho do balanço, da dívida e da operação. A companhia passou a administrar uma base de cerca de 320 mil estudantes, já considerando as aquisições de 2021. O modelo acadêmico híbrido foi mantido para toda a base de alunos durante o período de restrições da pandemia, sem interrupção relevante da prestação dos serviços educacionais.

Demonstrações Financeiras 2022

Ânima encerrou 2022 no primeiro ano cheio após a aquisição transformacional da Laureate Brasil. O ano foi marcado por integração, ganho de escala, reorganização operacional, foco em qualidade acadêmica, aumento de ticket em segmentos relevantes e esforço para capturar sinergias. A base final de alunos do Ecossistema Ânima foi de 394,7 mil alunos, crescimento de 0,8% em relação ao fim de 2021. A base média de alunos foi de 393,5 mil, alta de 35,7%, principalmente porque 2021 consolidou apenas sete meses das unidades da Laureate.

Demonstrações Financeiras 2023

A Ânima encerrou 2023 com melhora operacional importante, avanço de eficiência, crescimento de EBITDA ajustado e redução orgânica da alavancagem. O ano marcou uma evolução em relação ao ciclo de integração pós-Laureate, com sinais mais claros de disciplina de execução, melhora de margens e geração de caixa. A base média de alunos chegou a 405,5 mil em 2023, com crescimento de 4,6% no Ensino Acadêmico. Esse crescimento foi puxado principalmente pela Inspirali e pelo Ensino Digital, enquanto o Ânima Core ainda apresentou queda moderada de base.

Demonstrações Financeiras 2024

Ânima encerrou 2024 com melhora operacional relevante, expansão de margens em todos os segmentos de negócio, avanço de EBITDA ajustado, lucro individual positivo e maior clareza na segmentação entre Ânima Core, Ensino Digital e Inspirali. O ano foi marcado por disciplina de execução, controle de custos e despesas, melhora de cobrança, maior eficiência corporativa e continuidade da trajetória de recuperação pós-integração da Laureate. A companhia encerrou 2024 com 369,3 mil alunos matriculados.

Demonstrações Financeiras 2025

A Ânima encerrou 2025 com nova melhora operacional, avanço de lucro, maior EBITDA ajustado, margem consolidada mais alta e desalavancagem relevante. O ano confirmou a continuidade da recuperação pós-Laureate, com crescimento de receita nos principais segmentos e maior eficiência operacional. A companhia encerrou 2025 com 360,4 mil alunos matriculados, contra 369,3 mil em 2024. A base total caiu, mas a estratégia continuou priorizando qualidade de receita, tíquete, perfil do aluno, margem e geração de valor.

Resumo fundamentalista

A Ânima iniciou 2026 mantendo a trajetória de recuperação operacional, com crescimento de receita consolidada, EBITDA ajustado maior, lucro líquido positivo e nova redução da alavancagem. O trimestre mostra que a companhia continua colhendo ganhos de eficiência após a integração da Laureate, com avanço relevante no Core e na Inspirali.

A receita líquida consolidada foi de R$1,1 bilhão no 1T26, contra R$1 bilhão no 1T25. O crescimento de 7,7% mostra evolução da operação mesmo com pressão regulatória no Ensino Digital.

O lucro bruto consolidado foi de R$758,2 milhões, contra R$700,1 milhões no 1T25. A margem bruta consolidada permaneceu elevada, sustentada principalmente pelo Ânima Core e pela Inspirali.

O resultado operacional antes do financeiro consolidado foi de R$325,6 milhões, contra R$306,1 milhões no 1T25. A melhora foi positiva, mas a expansão foi limitada por maiores despesas comerciais, maiores despesas gerais e administrativas e pressão de margem na Inspirali.

O EBITDA ajustado ex-IFRS16 consolidado foi de R$375,9 milhões, crescimento de 4,3% frente ao 1T25. A margem foi de 33,6%, queda de 1,1 ponto percentual. O EBITDA ainda cresceu, mas com margem um pouco menor.

O lucro líquido atribuível aos acionistas controladores foi de R$106,2 milhões, crescimento de 11% frente ao 1T25. Esse é um ponto positivo porque mostra continuidade da recuperação contábil e operacional.

No individual, o lucro líquido também foi de R$106,2 milhões, contra R$95,7 milhões no 1T25. O resultado antes do financeiro e tributos foi positivo em R$187,1 milhões, puxado por equivalência patrimonial positiva de R$185,3 milhões.

O resultado financeiro individual foi negativo em R$80,9 milhões, pior que o negativo de R$74,4 milhões no 1T25. As despesas financeiras individuais subiram para R$93,8 milhões, parcialmente compensadas por receitas financeiras de R$12,9 milhões.

No consolidado, o resultado financeiro líquido foi negativo em R$185,3 milhões. As receitas financeiras foram de R$74 milhões, mas as despesas financeiras foram de R$259,4 milhões. Essa linha segue sendo o principal limitador da conversão operacional em lucro.

A alavancagem continuou caindo. A dívida líquida ajustada sobre EBITDA ajustado ex-IFRS16 LTM encerrou o 1T26 em 2,39x, contra 2,49x no 4T25 e 2,63x no 1T25. Esse é um dos sinais mais relevantes do trimestre.

O fluxo operacional individual foi negativo em R$59,7 milhões, melhor que o negativo de R$71,9 milhões no 1T25. A melhora é positiva, mas ainda mostra que a holding continua consumindo caixa operacional depois de juros.

A leitura central para o usuário é de empresa em crescimento com melhora operacional e desalavancagem, mas ainda com cautela financeira e regulatória. A Ânima tem lucro, EBITDA forte e alavancagem menor, porém o resultado financeiro, o custo da dívida, o novo marco regulatório do EAD e o fluxo operacional individual negativo ainda impedem leitura plenamente confortável.

Pontos de atenção

O primeiro risco é o resultado financeiro. O resultado financeiro consolidado foi negativo em R$185,3 milhões, e o individual foi negativo em R$80,9 milhões.

O segundo risco é a alta das despesas financeiras. As despesas financeiras consolidadas foram de R$259,4 milhões, e as individuais foram de R$93,8 milhões.

O terceiro risco é o pagamento de juros. Os juros pagos no fluxo individual foram de R$86,9 milhões.

O quarto risco é o fluxo operacional individual negativo. O caixa líquido das atividades operacionais individuais foi negativo em R$59,7 milhões.

O quinto risco é o novo marco regulatório do EAD. A atração da graduação digital caiu 42,2%, e a base da graduação digital caiu 18,4%.

O sexto risco é a transição para semipresencial. A companhia teve desafios operacionais no volta às aulas, com possível reflexo na evasão do semestre.

O sétimo risco é a pressão de margem na Inspirali. A margem operacional caiu para 53,4%, contra 57,9% no 1T25.

O oitavo risco é o aumento do passivo circulante individual. O passivo circulante subiu para R$510 milhões e ficou acima do ativo circulante.

O nono risco é a dívida ainda relevante. Empréstimos e financiamentos individuais somavam cerca de R$2,3 bilhões.

O décimo risco é o goodwill elevado. O goodwill consolidado segue acima de R$5,2 bilhões e depende da capacidade futura de geração de caixa das unidades adquiridas.

O décimo primeiro risco é a dependência da Inspirali. Medicina segue como principal ativo de qualidade e margem, mas depende de regulação, campos de prática, ocupação e reputação.

O décimo segundo risco é a necessidade de repetir a melhora. A tese fica mais forte se lucro, EBITDA, caixa e desalavancagem continuarem evoluindo nos próximos trimestres.

Leitura final

O 1T26 reforçou a recuperação da Ânima. A companhia cresceu receita, manteve EBITDA elevado, entregou lucro líquido positivo e reduziu novamente a alavancagem. O Core voltou a crescer em receita, e a Inspirali continuou sendo o principal ativo de qualidade e margem.

A leitura, porém, ainda exige cautela. O resultado financeiro segue pesado, os juros pagos continuam altos, o fluxo operacional individual permanece negativo e o Ensino Digital passa por uma transição regulatória importante. A queda forte de atração na graduação digital mostra que a adaptação ao novo marco do EAD será um teste relevante em 2026.

Para o usuário, o trimestre deve ser interpretado como continuidade de uma recuperação operacional consistente, mas ainda não como conforto total. A Ânima está melhor do que nos anos de maior pressão pós-Laureate, porém precisa manter desalavancagem, adaptar o EAD ao semipresencial, preservar a margem da Inspirali e transformar EBITDA em caixa recorrente.

Privacidade & Cookies
Utilizamos cookies próprios e de parceiros para medir o desempenho das campanhas e melhorar sua experiência. Ao aceitar, você autoriza a coleta de dados conforme a LGPD — Lei 13.709/2018.