A Ânima iniciou 2026 mantendo a trajetória de recuperação operacional, com crescimento de receita consolidada, EBITDA ajustado maior, lucro líquido positivo e nova redução da alavancagem. O trimestre mostra que a companhia continua colhendo ganhos de eficiência após a integração da Laureate, com avanço relevante no Core e na Inspirali.
A receita líquida consolidada foi de R$1,1 bilhão no 1T26, contra R$1 bilhão no 1T25. O crescimento de 7,7% mostra evolução da operação mesmo com pressão regulatória no Ensino Digital.
O lucro bruto consolidado foi de R$758,2 milhões, contra R$700,1 milhões no 1T25. A margem bruta consolidada permaneceu elevada, sustentada principalmente pelo Ânima Core e pela Inspirali.
O resultado operacional antes do financeiro consolidado foi de R$325,6 milhões, contra R$306,1 milhões no 1T25. A melhora foi positiva, mas a expansão foi limitada por maiores despesas comerciais, maiores despesas gerais e administrativas e pressão de margem na Inspirali.
O EBITDA ajustado ex-IFRS16 consolidado foi de R$375,9 milhões, crescimento de 4,3% frente ao 1T25. A margem foi de 33,6%, queda de 1,1 ponto percentual. O EBITDA ainda cresceu, mas com margem um pouco menor.
O lucro líquido atribuível aos acionistas controladores foi de R$106,2 milhões, crescimento de 11% frente ao 1T25. Esse é um ponto positivo porque mostra continuidade da recuperação contábil e operacional.
No individual, o lucro líquido também foi de R$106,2 milhões, contra R$95,7 milhões no 1T25. O resultado antes do financeiro e tributos foi positivo em R$187,1 milhões, puxado por equivalência patrimonial positiva de R$185,3 milhões.
O resultado financeiro individual foi negativo em R$80,9 milhões, pior que o negativo de R$74,4 milhões no 1T25. As despesas financeiras individuais subiram para R$93,8 milhões, parcialmente compensadas por receitas financeiras de R$12,9 milhões.
No consolidado, o resultado financeiro líquido foi negativo em R$185,3 milhões. As receitas financeiras foram de R$74 milhões, mas as despesas financeiras foram de R$259,4 milhões. Essa linha segue sendo o principal limitador da conversão operacional em lucro.
A alavancagem continuou caindo. A dívida líquida ajustada sobre EBITDA ajustado ex-IFRS16 LTM encerrou o 1T26 em 2,39x, contra 2,49x no 4T25 e 2,63x no 1T25. Esse é um dos sinais mais relevantes do trimestre.
O fluxo operacional individual foi negativo em R$59,7 milhões, melhor que o negativo de R$71,9 milhões no 1T25. A melhora é positiva, mas ainda mostra que a holding continua consumindo caixa operacional depois de juros.
A leitura central para o usuário é de empresa em crescimento com melhora operacional e desalavancagem, mas ainda com cautela financeira e regulatória. A Ânima tem lucro, EBITDA forte e alavancagem menor, porém o resultado financeiro, o custo da dívida, o novo marco regulatório do EAD e o fluxo operacional individual negativo ainda impedem leitura plenamente confortável.