Automob encerrou 2023 em um ano de forte expansão societária e operacional, mas com deterioração relevante de rentabilidade e geração de caixa operacional. O documento ainda apresenta o relatório da administração sob a denominação Vamos Comércio de Máquinas Linha Amarela Ltda., refletindo o contexto de reorganização e consolidação de operações de concessionárias, máquinas, caminhões, ônibus e equipamentos agrícolas.
AMOB3 - Automob
A Grupo Vamos (negociada sob o ticker AMOB3, antiga Vamos Locação) é a empresa líder absoluta no Brasil no setor de locação, compra e venda de caminhões, máquinas pesadas e equipamentos agrícolas. A companhia atua com foco na terceirização de frotas para grandes indústrias e produtores do agronegócio, gerando receita recorrente por meio de contratos de longo prazo, além de operar uma ampla rede de concessionárias para a comercialização e renovação desses ativos pesados.
Análise de preço da ação
Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.
Desconto com risco elevado
Com valor de mercado de R$497,82 mi e cotação de R$13,30, próxima do meio da faixa de 52 semanas (entre R$10,00 e R$15,76), a Automob aparece com múltiplos comprimidos: P/VP de apenas 0,2x e EV/EBITDA de 7,4x. O patrimônio líquido de R$2,02 bi muito acima do valor de mercado sustenta a leitura de desconto, e a operação não está parada — a receita anual de 2025 chegou a R$12,82 bi com EBITDA de R$425,86 mi, força clara em Veículos Leves e geração operacional de caixa robusta de R$1,09 bi no ano, além de redução de estoque pago e melhora sequencial da alavancagem para 3,5x no 1T26.
O desconto, porém, não é limpo e exige cautela. A Automob fechou 2025 com prejuízo líquido de R$285,58 mi (P/L negativo) e voltou a registrar prejuízo de R$56,75 mi no 1T26, pior que o mesmo período do ano anterior, com o resultado financeiro pesado consumindo todo o resultado operacional. O fluxo de caixa operacional virou negativo (-R$35,60 mi) no trimestre, a dívida líquida de R$2,67 bi mantém a alavancagem elevada e os segmentos Agro e Máquinas seguem pressionados. Vale lembrar ainda que o free float é baixo (16,18%, com a SIMPAR detendo 71,75%), o que reduz liquidez e pode distorcer o valor de mercado. O desconto só ganha consistência se a companhia transformar escala e EBITDA em lucro líquido recorrente, desalavancagem e caixa operacional mais estável.
Indicadores principais
Automob cresceu receita no 1T26, mas registrou prejuízo e caixa negativo por juros pesados e pressão no agro. Tese é de ativo de risco até dar lucro.
A empresa deve ser tratada como ativo de risco. A companhia tem escala relevante, receita crescente, EBITDA positivo, força em Veículos Leves, redução de estoque pago e melhora sequencial da alavancagem. Porém, ainda apresentou prejuízo líquido, resultado financeiro muito pesado, fluxo de caixa operacional negativo, dívida elevada e pressão em Agro e Máquinas. O agente deve acompanhar se a companhia conseguirá transformar crescimento operacional e disciplina de capital em lucro líquido recorrente, desalavancagem e caixa operacional mais consistente.
Trajetória recente
Automob encerrou 2024 em um ano de grande transformação societária, expansão de escala e avanço operacional, mas ainda com rentabilidade líquida pressionada e estrutura financeira mais pesada. A companhia se consolidou como o maior e mais diversificado grupo de concessionárias de veículos leves e pesados do Brasil, passou a ter ações negociadas no Novo Mercado da B3 e apresentou receita líquida recorde. O ano teve crescimento relevante de receita, recuperação da geração operacional de caixa e EBITDA ajustado maior que em 2023.
Automob encerrou 2025 com crescimento de receita, EBITDA ajustado recorde e melhora relevante da geração operacional de caixa, mas ainda com prejuízo líquido contábil elevado, resultado financeiro muito pesado e alavancagem relevante. O ano confirma que a companhia ganhou escala e possui operação comercial importante, mas também mostra que a estrutura financeira e a rentabilidade final ainda impedem uma leitura fundamentalista confortável. A receita líquida consolidada atingiu novo recorde, impulsionada principalmente pelos segmentos de veículos leves, caminhões e ônibus.
Resumo fundamentalista
Automob iniciou 2026 com crescimento de receita, lucro bruto maior e EBITDA positivo, mas ainda com prejuízo líquido consolidado relevante. O trimestre mostra uma companhia grande, diversificada e operacionalmente ativa no setor de concessionárias, veículos leves, caminhões, ônibus, agro e máquinas, mas ainda pressionada por resultado financeiro elevado, estrutura de dívida relevante e desafios no segmento Agro e Máquinas.
A receita líquida consolidada foi de R$3,1318 bilhões no 1T26, crescimento de 7,5% em relação ao 1T25. O lucro bruto consolidado foi de R$452,2 milhões, alta de 5%, com margem bruta de 14,5%. O resultado antes do financeiro e dos tributos ficou positivo em R$81,5 milhões, praticamente estável em relação ao 1T25.
O EBITDA contábil divulgado pela companhia foi de R$136,7 milhões no 1T26, enquanto o EBITDA ajustado foi de R$143,3 milhões, alta de 2% em relação ao 1T25. A companhia também informou EBITDA ajustado LTM de R$532 milhões e receita bruta LTM de R$13,8 bilhões, reforçando a escala do grupo.
Apesar da melhora operacional, o resultado líquido continuou negativo. O prejuízo líquido consolidado foi de R$56,8 milhões no 1T26, pior que o prejuízo de R$35,3 milhões no 1T25. O principal fator de pressão foi o resultado financeiro negativo de R$136,5 milhões, superior ao resultado operacional antes do financeiro.
A leitura central para o usuário é que a Automob no 1T26 deve ser tratada com cautela elevada. A operação tem escala, cresce em veículos leves, melhora capital de giro em estoques e mostra disciplina de CAPEX, mas ainda não converte o resultado operacional em lucro líquido. O sinal não deve ser verde porque a companhia segue com prejuízo, dívida elevada, resultado financeiro pesado e segmento Agro e Máquinas ainda em ajuste.
Pontos de atenção
O principal risco é a persistência do prejuízo líquido. Apesar de receita maior, lucro bruto maior e EBITDA positivo, a companhia ainda registrou prejuízo líquido consolidado de R$56,8 milhões. A tese precisa comprovar capacidade de transformar escala em lucro líquido recorrente.
O segundo risco é o resultado financeiro. O resultado financeiro negativo de R$136,5 milhões consumiu integralmente o resultado operacional. Enquanto essa linha permanecer elevada, a empresa dependerá de expansão de EBITDA, desalavancagem e queda do custo financeiro para gerar lucro líquido.
O terceiro risco é a alavancagem. A relação dívida líquida sobre EBITDA ajustado LTM caiu para 3,5x, mas ainda é alta para uma companhia cíclica e exposta a crédito, estoques e demanda por veículos. A melhora sequencial é positiva, mas ainda não suficiente para leitura tranquila.
O quarto risco é o segmento Agro e Máquinas. A unidade apresentou queda relevante de receita, lucro bruto e volume, além de contribuição negativa ao lucro líquido ajustado. A recuperação depende de melhora no ambiente agrícola, crédito, commodities, renovação de frota e redução de estoques pagos.
O quinto risco é capital de giro. O negócio depende de estoques, floor plan, fornecedores, contas a receber e financiamento ao cliente. A redução de estoques pagos é positiva, mas o modelo segue sensível a juros, crédito, disponibilidade de financiamento, giro de veículos e valor residual de usados.
Também permanecem riscos ligados a integração pós-reorganização societária, despesas financeiras da holding, desempenho das marcas representadas, concorrência, ciclo de veículos, política de crédito, inadimplência, programas governamentais como Move Brasil e execução da gestão ativa de lojas.
Leitura final
Automob no 1T26 deve ser lida como uma companhia de grande escala, com melhora operacional em Veículos Leves e disciplina de capital, mas ainda com resultado líquido fraco. A empresa cresceu receita, entregou EBITDA positivo, reduziu estoques pagos, melhorou alavancagem sequencial e mostrou força em F&I, pós-vendas e usados.
A ressalva é que o resultado financeiro ainda domina a tese. O prejuízo líquido aumentou em relação ao 1T25, o fluxo de caixa operacional foi negativo e a dívida continua relevante. Além disso, Agro e Máquinas ainda pesa negativamente e Caminhões e Ônibus depende de normalização de crédito e programas setoriais.
Para o usuário, Automob deve ser classificada como ativo de risco, mas com pontos operacionais positivos a monitorar. A empresa ainda não deve receber leitura neutra ou positiva porque segue com prejuízo líquido e alavancagem elevada. O acompanhamento dos próximos trimestres deve focar em redução do resultado financeiro, desalavancagem, continuidade da redução de estoques pagos, recuperação de Agro e Máquinas, efeito positivo do fechamento das lojas Seu Carro e conversão do EBITDA em lucro líquido.