Lojas Marisa encerrou 2021 em processo de recuperação após o forte impacto de 2020, mas ainda com rentabilidade frágil, estrutura financeira pressionada e geração de caixa muito limitada. O ano mostrou melhora clara de receita, lucro bruto e resultado operacional, mas a companhia permaneceu no prejuízo. A receita líquida consolidada subiu de R$2,1 bilhões em 2020 para R$2,5 bilhões em 2021. O lucro bruto avançou de R$798,2 milhões para R$1,1 bilhão.
AMAR3 - Lojas Marisa
Uma das maiores e mais tradicionais redes de varejo de moda feminina e moda íntima do Brasil. Opera um modelo de negócios focado no conceito de fast fashion de grande apelo popular, vendendo de forma multicanal (através de centenas de lojas físicas, aplicativo e e-commerce) vestuário completo, lingeries, calçados e acessórios voltados principalmente para a mulher da classe média brasileira. Adicionalmente, a marca atua na intermediação de serviços financeiros, oferecendo cartões de crédito próprios e produtos de crédito pessoal aos seus clientes em parceria com bancos.
29/04/2015 R$ 0,07
17/04/2014 R$ 0,11
18/04/2013 R$ 0,12
29/11/2012 R$ 0,21
Análise de preço da ação
Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.
Desconto com risco elevado
Com valor de mercado de R$297,83 mi e cotação de R$0,60, próxima da mínima de 52 semanas (R$0,56) e bem distante da máxima (R$1,45), a Marisa aparece com múltiplos comprimidos: EV/EBITDA de 3,1x sobre um EBITDA anual de R$344,5 mi e P/VP de 1,3x. A margem EBITDA anual chegou a 23,2% e 2025 trouxe melhora operacional concreta, com receita voltando a crescer (R$1,48 bi), lucro bruto maior e resultado operacional positivo, o que à primeira vista justifica a leitura de valor de mercado descontado.
O desconto, porém, não é limpo e precisa ser tratado com cautela. O P/L negativo (-5,0x) reflete que o último anual ainda fechou com prejuízo de R$59,98 mi, pressionado por um resultado financeiro pesado que consumiu todo o ganho operacional, e o 1T26 piorou: receita menor, margem bruta recuando, resultado operacional novamente negativo, prejuízo de R$95,8 mi, caixa consolidado caindo para R$10,6 mi, dívida líquida de R$807,9 mi subindo e patrimônio líquido encolhendo para R$128,8 mi, além de relatório de revisão com ressalva. Soma-se a isso um free float de apenas 7,08%, que reduz liquidez e amplia a sensibilidade do valor de mercado. Para sustentar a tese de desconto, será preciso acompanhar a conversão da melhora operacional em lucro recorrente, geração de caixa de qualidade e recomposição patrimonial.
Indicadores principais
Apesar de avanços operacionais no 1T26, a Lojas Marisa sofre com prejuízo, caixa baixo e alta dívida, exigindo forte cautela diante do alto risco.
Lojas Marisa mostra alguns avanços operacionais recorrentes no 1T26, como EBITDA ajustado maior, despesas gerais e administrativas menores, digital em crescimento, melhora em indicadores de clientes, Cartão Marisa, NPS e giro de estoque. Porém, o resultado contábil voltou a ser fraco: receita menor, margem bruta menor, resultado operacional negativo, resultado financeiro muito pesado, prejuízo líquido relevante, caixa extremamente baixo, dívida de curto prazo maior, patrimônio líquido em queda e relatório de revisão com ressalva. A leitura é de ativo de risco, com cautela elevada, até que a companhia prove recuperação de receita, lucro operacional recorrente, caixa positivo de qualidade, recomposição de liquidez e preservação patrimonial.
Trajetória recente
Encerrou 2022 com forte deterioração operacional, financeira e patrimonial. O ano mostrou crescimento de receita, mas com queda de lucro bruto, aumento de despesas, prejuízo operacional relevante, resultado financeiro muito negativo e prejuízo líquido expressivo. A receita líquida consolidada subiu de R$2,5 bilhões em 2021 para R$2,7 bilhões em 2022. Porém, o lucro bruto consolidado caiu de R$1,1 bilhão para R$1 bilhão.
Lojas Marisa encerrou 2023 em situação financeira e operacional muito delicada. O ano teve forte queda de receita, redução do lucro bruto, prejuízo operacional elevado, prejuízo líquido novamente acima de R$500 milhões e patrimônio líquido praticamente zerado. A receita líquida consolidada caiu de R$2,4 bilhões em 2022 para R$1,6 bilhão em 2023. O lucro bruto consolidado caiu de R$1,17 bilhão para R$809,4 milhões.
Lojas Marisa encerrou 2024 ainda em situação delicada, mas com sinais de avanço na reestruturação. A companhia continuou encolhendo receita e lucro bruto, permaneceu no prejuízo e voltou a consumir caixa operacional. Porém, reduziu fortemente o prejuízo operacional das operações continuadas, reduziu o prejuízo líquido total em relação a 2023 e recompôs parcialmente o patrimônio líquido por meio de aumento de capital. A receita líquida consolidada caiu de R$1,6 bilhão em 2023 para R$1,3 bilhão em 2024.
Encerrou 2025 com melhora operacional importante em relação a 2024, mas ainda sem uma virada financeira completa. A companhia voltou a crescer receita, ampliou lucro bruto, entregou resultado operacional positivo e reduziu drasticamente o prejuízo líquido. Mesmo assim, continuou com prejuízo, caixa operacional praticamente neutro/negativo, caixa final menor, resultado financeiro muito pesado e patrimônio líquido ainda frágil. A receita líquida consolidada subiu de R$1,4 bilhão em 2024 para R$1,483 bilhão em 2025.
Resumo fundamentalista
A Lojas Marisa iniciou 2026 com sinais operacionais mistos e ainda sem confirmar a virada financeira. Depois da melhora operacional observada em 2025, o 1T26 voltou a mostrar prejuízo relevante, queda de receita, queda de lucro bruto, resultado operacional negativo e resultado financeiro muito pesado.
A receita líquida consolidada caiu de R$297,9 milhões no 1T25 para R$286,4 milhões no 1T26. O lucro bruto consolidado caiu de R$152,2 milhões para R$140,6 milhões. A margem bruta consolidada recuou de 51,1% para 49,1%.
O resultado antes do financeiro e dos tributos saiu de lucro de R$41,2 milhões no 1T25 para prejuízo de R$8,4 milhões no 1T26. O resultado financeiro piorou de -R$38,8 milhões para -R$88,3 milhões, principalmente por queda nas receitas financeiras, enquanto as despesas financeiras permaneceram muito altas.
O prejuízo líquido consolidado foi de R$95,8 milhões, contra lucro de R$2,3 milhões no 1T25. Esse resultado interrompe a leitura mais construtiva de 2025 e mostra que a companhia ainda não conseguiu transformar a reestruturação em lucro líquido recorrente.
A administração destaca avanços operacionais em mesma base de lojas, EBITDA recorrente ajustado, despesas gerais e administrativas, canal digital, Cartão Marisa, base ativa de clientes, churn, NPS e giro de estoque. Porém, nas demonstrações consolidadas, o trimestre ainda mostra alto risco financeiro, liquidez apertada e patrimônio líquido em queda.
Pontos de atenção
O primeiro risco é a reversão do resultado líquido. Depois de 2025 reduzir bastante o prejuízo anual, o 1T26 voltou a mostrar prejuízo relevante de R$95,8 milhões.
O segundo risco é a liquidez. O caixa consolidado caiu para apenas R$10,6 milhões, e o caixa individual caiu para R$7,5 milhões. Esse nível de caixa é baixo frente à dívida, arrendamentos, fornecedores, obrigações fiscais e volatilidade operacional.
O terceiro risco é o resultado financeiro. A despesa financeira continuou muito alta e as receitas financeiras caíram bastante. O resultado financeiro negativo de R$88,3 milhões foi decisivo para o prejuízo líquido.
O quarto ponto é a queda de receita e margem bruta. A empresa ainda precisa provar que consegue crescer de forma sustentável sem deteriorar margem.
O quinto ponto é a dependência de capital de giro para gerar caixa operacional. O caixa operacional foi positivo, mas o caixa gerado nas operações foi negativo. A geração veio de variações de ativos e passivos, não de lucro operacional recorrente.
O sexto ponto é a pressão patrimonial. O patrimônio líquido consolidado caiu para R$128,8 milhões. Se a companhia continuar acumulando prejuízos nessa velocidade, a margem de segurança patrimonial volta a ficar muito limitada.
O sétimo ponto é a ressalva do relatório de revisão especial. O ITR de 2026 tem relatório de revisão especial com ressalva, mantendo a necessidade de leitura conservadora.
Leitura final
A Lojas Marisa mostra alguns avanços operacionais recorrentes, como EBITDA ajustado maior, G&A menor, digital em crescimento, melhora de indicadores de clientes, Cartão Marisa e giro de estoque. Porém, o resultado contábil do 1T26 voltou a ser fraco: receita menor, margem bruta menor, resultado operacional negativo, resultado financeiro muito pesado, prejuízo líquido relevante, caixa extremamente baixo, dívida de curto prazo maior, patrimônio líquido em queda e relatório de revisão com ressalva. A leitura para o usuário deve ser de ativo de risco, com cautela elevada, até que a empresa prove recuperação de receita, lucro operacional recorrente, caixa positivo de qualidade, recomposição de liquidez e preservação patrimonial.