2021 foi um ano de recuperação operacional para a Estapar, mas ainda com prejuízo elevado. A companhia voltou a crescer receita e lucro bruto após o impacto forte da pandemia em 2020, impulsionada pela retomada da atividade econômica, maturação de projetos investidos nos anos anteriores e primeiro ano operacional completo da concessão da Zona Azul de São Paulo. Apesar da melhora de receita, a empresa ainda não conseguiu voltar ao lucro. O resultado continuou pressionado por despesas financeiras elevadas, amortização de intangíveis, estrutura de arrendamentos/concessões e efeitos de equivalência patrimonial.
ALPK3 - Estapar
A Allpark (dona da marca Estapar, negociada sob o ticker ALPK3) é a maior rede de gestão e operação de estacionamentos de veículos do Brasil. A companhia atua na administração de vagas em grandes polos geradores de tráfego — como aeroportos, shopping centers, hospitais, arenas e universidades —, operando tanto em estacionamentos privados (modelo Off-Street) quanto na gestão de vagas rotativas públicas e concessões de Zona Azul digital em diversas cidades do país (modelo On-Street).
24/04/2026 R$ 0,01
Análise de preço da ação
Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.
Preço já exige entrega da virada
Com valor de mercado de R$958,37 mi e cotação de R$4,32, em posição intermediária da faixa de 52 semanas (mínima de R$2,79 e máxima de R$5,55), a Estapar negocia com múltiplos comprimidos no papel, mas P/L de 68,0x e P/VP de 2,6x mostram que o mercado já paga prêmio relevante sobre o lucro recente. Isso faz sentido com a leitura de virada: 2025 foi o primeiro ano de lucro líquido consolidado positivo (R$14,1 mi) após uma sequência longa de prejuízos, com receita anual de R$1,87 bi, forte geração de caixa operacional (R$545,22 mi) e dívida líquida em leve queda. O 1T26 reforçou a tendência, com receita crescendo 16,3% sobre o 1T25, reversão para lucro de R$3,6 mi, caixa operacional positivo e custo médio da dívida mais baixo.
A ressalva é que esse valuation depende de continuidade, e ainda há pontos materiais a confirmar. O lucro líquido segue pequeno frente ao tamanho da operação, o resultado financeiro continuou pesado e negativo em R$56,5 mi no 1T26, e a dívida líquida acima de R$1,2 bi, somada a debêntures e arrendamentos, ainda consome boa parte do ganho operacional. O P/L elevado deixa pouca margem para frustração: a inflexão de 2025 ainda é recente e precisa se repetir em lucro recorrente, caixa livre e desalavancagem para sustentar o preço atual. Vale notar ainda o free float baixo de 15,7%, com controle concentrado em fundos de investimento, o que pode amplificar oscilações do valor de mercado e reduzir liquidez.
Indicadores principais
Estapar reverteu para lucro no 1T26 com alta de receita e EBITDA, mas resultado financeiro e dívida alta mantêm tese em cautela.
A empresa deve seguir em cautela, com viés de melhora. O 1T26 mostrou crescimento de receita, EBITDA ajustado gerencial de R$90,7 milhões divulgado pela companhia, caixa operacional positivo, expansão do portfólio, churn baixo, avanço digital e reversão para lucro líquido. Porém, o resultado financeiro ainda pesa, o lucro líquido ainda é pequeno, a dívida e os arrendamentos seguem relevantes e a camada contábil CVM manteve EBITDA nulo por ausência de abertura clara de D&A na DFC consolidada. O usuário deve acompanhar se a melhora operacional continuará se convertendo em lucro líquido recorrente, caixa livre e desalavancagem.
Trajetória recente
2022 foi um ano de recuperação mais forte para a Estapar. A companhia atingiu receita líquida recorde, melhorou lucro bruto, aumentou margem bruta, reduziu o prejuízo líquido e manteve geração de caixa operacional positiva. A operação mostrou avanço mais claro do que em 2021, impulsionada pela retomada da mobilidade urbana, crescimento orgânico, maturação da Zona Azul de São Paulo e avanço das iniciativas digitais. Apesar da melhora operacional, a empresa ainda fechou o ano no prejuízo.
2023 foi o melhor ano operacional recente da Estapar. A companhia voltou a crescer receita, melhorou lucro bruto, aumentou EBITDA gerencial, reduziu fortemente o prejuízo líquido e manteve geração de caixa operacional positiva. A administração classificou o período como “o melhor ano da história”, destacando foco em execução comercial, disciplina financeira e melhora operacional. A empresa encerrou 2023 com 697 operações e 468,2 mil vagas.
2024 foi o ano em que a Estapar chegou muito perto da virada para lucro. A companhia manteve crescimento de receita, aumentou EBITDA gerencial, melhorou EBIT gerencial, reduziu fortemente o prejuízo líquido e continuou gerando caixa operacional positivo. A administração destacou forte crescimento e consolidação da estratégia digital. A empresa encerrou 2024 com 754 operações em 97 cidades e 19 estados.
2025 foi o ano da virada da Estapar para lucro líquido consolidado positivo. Depois de anos de prejuízo, a companhia conseguiu combinar crescimento de receita, expansão operacional, melhora de EBITDA ajustado, avanço de EBIT ajustado, geração de caixa operacional forte e redução da dívida líquida. A administração classificou 2025 como um ponto de inflexão, destacando que a empresa reverteu prejuízos históricos e validou a sustentabilidade do modelo de negócio. A companhia encerrou o ano com 827 operações ativas em 113 cidades e 20 estados, após inaugurar 107 novas operações no período.
Resumo fundamentalista
Estapar iniciou 2026 com melhora operacional relevante e reversão para lucro líquido positivo. O 1T26 mostrou crescimento de receita, avanço do EBITDA ajustado divulgado pela companhia, melhora do EBIT ajustado, geração operacional de caixa positiva e continuidade da expansão do portfólio. O trimestre reforça a leitura de recuperação operacional, embora ainda exija atenção ao endividamento, ao custo financeiro e à diferença entre indicadores gerenciais e a camada contábil CVM.
A receita líquida consolidada foi de R$494,6 milhões no 1T26, alta de 16,3% em relação ao 1T25. O avanço foi sustentado pela expansão do número de operações, crescimento das receitas de estacionamentos, Zona Azul, plataformas digitais e maior presença em segmentos como edifícios comerciais, aeroportos, saúde e shoppings.
O lucro líquido consolidado foi de R$3,6 milhões, revertendo o prejuízo de R$2,6 milhões do 1T25. A companhia também divulgou EBITDA ajustado de R$90,7 milhões, crescimento de 17,6%, com margem ajustada de 18,3%, além de EBIT ajustado de R$ 42,8 milhões, alta de 25,1%. Esses indicadores apontam melhora de eficiência e maior rentabilidade operacional.
A leitura final é que Estapar melhora sua tese operacional em 2026, mas ainda deve ser acompanhada com cautela. A empresa voltou ao lucro, cresceu receita, ampliou portfólio e reduziu o custo médio da dívida, porém continua exposta a alavancagem relevante, resultado financeiro negativo e necessidade de converter a melhora operacional em geração de caixa consistente.
Pontos de atenção
O principal risco ainda é o endividamento. A empresa melhorou o custo e o perfil da dívida, mas continua com dívida, debêntures, financiamentos e arrendamentos relevantes. O resultado financeiro negativo ainda consome parte importante do resultado operacional.
O segundo risco é a margem líquida ainda baixa. A companhia voltou ao lucro, mas o lucro líquido consolidado de R$3,6 milhões ainda é pequeno em relação à receita e à estrutura de capital. A tese precisa de continuidade na expansão de EBITDA, EBIT e lucro líquido.
O terceiro risco é a necessidade de execução contínua na expansão. A companhia abriu 19 operações no trimestre e tem portfólio crescente. Esse crescimento precisa manter churn baixo, rentabilidade por operação, disciplina de CAPEX e controle de contratos de longo prazo.
Também permanecem riscos ligados a concessões públicas, obrigações com poder concedente, reajustes tarifários, demanda urbana, fluxo em shoppings e edifícios, inadimplência, custo de capital, juros, contratos de longo prazo, despesas de arrendamento e execução das frentes digitais.
Leitura final
A empresa no 1T26 deve ser lida como uma melhora relevante da tese. A Estapar cresceu receita, expandiu portfólio, manteve churn baixo, fortaleceu plataformas digitais, gerou caixa operacional positivo e reverteu prejuízo em lucro líquido. O trimestre também mostrou avanço na estrutura de capital, com redução do custo médio da dívida e alongamento do prazo médio.
A ressalva é que a companhia ainda não deve receber leitura totalmente positiva. O resultado financeiro segue pesado, o lucro líquido ainda é baixo, a estrutura de dívida continua relevante e o EBITDA da camada contábil CVM permaneceu nulo por limitação de abertura de D&A na DFC consolidada. O EBITDA ajustado de R$90,7 milhões deve ser registrado como métrica gerencial divulgada pela companhia.
Para o usuário, Estapar deve permanecer classificada como cautela, com viés de melhora. A empresa está em recuperação operacional e já mostra sinais de maior qualidade, mas ainda precisa consolidar lucro líquido recorrente, reduzir peso financeiro e manter crescimento rentável do portfólio.