Neutro / cautela

ALPA3

Alpargatas

1T/2026

Consumo cíclico

Calçados

Matriz: São Paulo - SP

Alpargatas é uma das maiores empresas de calçados do mundo, sendo globalmente reconhecida como a proprietária e fabricante da marca Havaianas. O modelo de negócios da companhia é verticalizado e focado em design, produção industrial e distribuição em larga escala de sandálias, chinelos e acessórios de moda, monetizando sua estrutura através de uma robusta rede de lojas próprias, franquias, e-commerce e canais de atacado no varejo do Brasil e em mais de 100 países.

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Total de ações 683.062.222
Ações ordinárias 339.510.689
Ações preferenciais 343.551.533
Free float 137.008.024 — 20,06%
Controlador Itaúsa S.A. — 53,71%
Tesouraria 3.893.455 — 0,57%

Data: 2026-05-29

R$ 9,78
0,31% no dia
R$ 52,72 R$ 5,70
2016 2026
Valor de mercado R$ 7,47 bi
Volume 1,10 mil
P/L externo 10,9x
Dividend yield 12m 17,85%
DIVIDENDO
16/12/2025
R$ 0,34
JCP
16/12/2025
R$ 0,15
REST CAP DIN
18/11/2025
R$ 1,25
DIVIDENDO
27/02/2025
R$ 0,02

Análise de preço da ação

Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.

em linha
P/L 13,2x
EV/EBITDA 10,0x
P/VP 2,2x
Dividend yield 12m 17,85%
Data da análise 29/06/2026

Valuation em linha, virada ainda em confirmação

Com valor de mercado de R$7,47 bi e cotação de R$9,78, na faixa intermediária entre a mínima (R$7,20) e a máxima (R$13,49) de 52 semanas, a Alpargatas negocia a múltiplos que parecem relativamente compatíveis com os fundamentos atuais: P/L de 13,2x, EV/EBITDA de 10,0x e P/VP de 2,2x. A leitura é sustentada por uma recuperação operacional consistente, com lucro líquido de R$567,9 mi no último anual, EBITDA de R$811,8 mi e margem EBITDA perto de 17,8%, além de um 1T26 de melhora: receita +12,5%, margem bruta acima de 52% e EBITDA ajustado em forte expansão, com Havaianas Brasil como principal motor e margem EBITDA de 26,1% no trimestre.

O ponto de atenção é que essa virada ainda exige confirmação após a deterioração de 2023, o que segura o valuation em terreno neutro em vez de desconto limpo. A operação internacional precisa comprovar rentabilidade recorrente, a mudança de modelo nos Estados Unidos reduz comparabilidade de margem, a Rothy's segue gerando prejuízo e o resultado financeiro permanece negativo. Além disso, os estoques voltaram a subir (R$789,2 mi consolidados) e o caixa havia caído fortemente em 2025 por restituição de capital e distribuições, embora tenha se recomposto no 1T26. O dividend yield reportado de 17,9% é inflado por essa devolução de capital pontual e deve ser lido com cautela, não como recorrência. Em resumo, os múltiplos refletem uma tese melhor, mas que ainda depende de manter margem, caixa e disciplina de capital de giro nos próximos trimestres.

Indicadores principais

Receita líquida R$ 1.229.460
EBITDA R$ 260.946
Lucro líquido R$ 162.807
Dívida líquida R$ 464.234
Margem líquida 13,24%
FCO R$ 261.073

Alpargatas avança no 1T26 puxada pela Havaianas Brasil, abrindo sinal verde para a tese, mas prejuízo na Rothy's e alta nos estoques exigem cautela.

A Alpargatas iniciou 2026 com sinais fortes de continuidade da recuperação, combinando crescimento de receita, margem bruta mais alta, EBITDA ajustado em expansão, lucro líquido maior e geração operacional de caixa. Havaianas Brasil voltou a ser o principal motor da tese, com ganho de escala, eficiência fabril, market share elevado e margem EBITDA forte para um primeiro trimestre. A leitura é construtiva, mas ainda pede cautela porque a companhia segue em fase de confirmação após a deterioração de 2023: a operação internacional precisa sustentar rentabilidade, estoques voltaram a subir, a Rothy’s ainda gera prejuízo e o resultado financeiro segue negativo. A tese melhora, mas depende de manter margem, caixa e disciplina de capital de giro nos próximos trimestres.

Trajetória recente

Demonstrações Financeiras 2021

A Alpargatas encerrou 2021 com crescimento forte de receita, avanço relevante da operação internacional de Havaianas, lucro líquido elevado e movimento estratégico importante com a aquisição de participação na Rothy’s. O ano foi positivo em expansão de marca e escala, mas já mostrava pressão relevante de custos, especialmente matéria-prima, fretes, câmbio e investimentos para crescimento global. A receita líquida de Havaianas foi de R$3,9 bilhões em 2021, crescimento de 25,7% frente a 2020. O volume vendido chegou a 260 milhões de pares e peças, alta de 13%.

Demonstrações Financeiras 2022

Alpargatas encerrou 2022 com crescimento de receita em Havaianas, mas forte deterioração de rentabilidade, lucro líquido muito menor e pressão relevante de caixa. O ano marcou uma transição importante: a companhia continuou avançando em receita e internacionalização, mas a combinação de custos elevados, estoques altos, derivativos, despesas maiores, efeito Rothy’s e investimentos pesados reduziu a qualidade do resultado. A receita líquida de Havaianas foi de R$4,2 bilhões em 2022, crescimento de 5,9% frente a 2021. O avanço mostra resiliência da marca, mas em ritmo bem menor que o observado no ano anterior.

Demonstrações Financeiras 2023

Alpargatas encerrou 2023 em um ano de forte deterioração contábil e operacional, mas também com sinais iniciais de reorganização interna. A companhia reduziu receita, perdeu margem, teve EBITDA normalizado muito abaixo de 2022 e registrou prejuízo líquido elevado, principalmente impactado por impairment da Rothy’s e outros efeitos extraordinários. A receita líquida de Havaianas foi de R$3,7 bilhões em 2023, queda de 10,5% frente a 2022. O recuo veio de menor volume, principalmente no internacional, e de um ano mais fraco em canais e mercados fora do Brasil.

Demonstrações Financeiras 2024

A Alpargatas encerrou 2024 com sinais claros de recuperação após o ano crítico de 2023. A companhia voltou ao lucro contábil, cresceu receita, melhorou a geração de caixa, reduziu estoques e mostrou avanço importante na operação de Havaianas Brasil. Ainda assim, a leitura permanece cautelosa porque a operação internacional continuou negativa, a recuperação ainda depende de ajustes recorrentes e parte da margem foi afetada por baixas de estoque. A receita líquida consolidada foi de R$4,1 bilhões em 2024, crescimento de 10% frente a 2023.

Demonstrações Financeiras 2025

Alpargatas encerrou 2025 com recuperação operacional muito mais clara que em 2024. A companhia cresceu receita, ampliou margem bruta, elevou EBITDA, aumentou lucro líquido e mostrou forte melhora na rentabilidade de Havaianas Brasil. O ano confirma que a reestruturação iniciada após o ponto crítico de 2023 começou a aparecer de forma mais consistente no resultado. A receita líquida consolidada foi de R$4,6 bilhões em 2025, crescimento de 11,1% frente a 2024.

Resumo fundamentalista

A Alpargatas iniciou 2026 com continuidade da recuperação operacional vista em 2025. A companhia cresceu receita, ampliou lucro bruto, elevou EBITDA ajustado, melhorou margem e entregou lucro líquido maior. O trimestre reforça que a reestruturação pós-2023 segue gerando resultado, especialmente em Havaianas Brasil.

A receita líquida consolidada foi de R$1,2 bilhão no 1T26, crescimento de 12,5% frente ao 1T25. A receita líquida de Havaianas Brasil foi de R$909,1 milhões, alta de 13,2%, enquanto Havaianas Internacional teve receita de R$307,5 milhões.

O lucro bruto consolidado foi de R$646,8 milhões, crescimento de 15,4%, com margem bruta de 52,6%. A margem avançou 1,3 p.p. frente ao 1T25, mostrando continuidade da recuperação de preço, mix, custo por par, eficiência fabril e disciplina comercial.

O EBITDA ajustado foi de R$299,5 milhões, crescimento de 45,4%, com margem EBITDA ajustada de 24,4%. Esse é um dado forte porque mostra que a companhia não apenas cresceu receita, mas também converteu melhor a receita em resultado operacional.

O lucro líquido contábil foi de R$162,8 milhões, acima dos R$112,4 milhões do 1T25. A melhora veio de maior lucro bruto, despesas operacionais mais controladas, equivalência patrimonial positiva e resultado financeiro menos negativo.

A leitura central é positiva, mas ainda com atenção. A recuperação operacional avançou, Havaianas Brasil atingiu margens fortes para um primeiro trimestre e a operação internacional melhorou. Porém, a tese ainda exige acompanhamento de caixa, capital de giro, estoques, execução internacional, câmbio, Rothy’s e manutenção das margens em bases recorrentes.

Pontos de atenção

O primeiro risco é a recuperação ainda precisar de confirmação em mais períodos.

O segundo risco é a operação internacional ainda depender de recomposição de escala e disciplina comercial.

O terceiro risco é a mudança de modelo nos Estados Unidos reduzir comparabilidade e pressionar margem bruta internacional.

O quarto risco é a Rothy’s ainda registrar prejuízo e exigir prova de retorno estratégico.

O quinto risco é o aumento dos estoques consolidados para R$789,2 milhões.

O sexto risco é a necessidade de evitar excesso de estoque na cadeia após aceleração tática de sell-in no Brasil.

O sétimo risco é a exposição a câmbio, matérias-primas, logística e custos industriais.

O oitavo risco é o resultado financeiro ainda negativo.

O nono risco é a dívida financeira consolidada ainda relevante.

O décimo risco é a necessidade de equilibrar remuneração ao acionista com preservação de liquidez.

O décimo primeiro risco é a dependência elevada de Havaianas Brasil como principal motor de resultado.

O décimo segundo risco é sustentar market share sem aumentar descontos, capital de giro ou pressão promocional.

Leitura final

O 1T26 foi positivo para a Alpargatas. A companhia cresceu receita, expandiu margem, elevou EBITDA ajustado, aumentou lucro líquido e gerou caixa operacional. Havaianas Brasil voltou a ser o principal destaque, com margem EBITDA forte e ganhos de eficiência.

A leitura positiva vem da continuidade da recuperação operacional iniciada após 2023. A empresa mostrou melhor execução comercial, produtividade fabril, disciplina de SG&A, avanço de market share no Brasil e melhora relevante da operação internacional.

A cautela está na sustentabilidade. A companhia ainda precisa provar que a operação internacional continuará rentável, que a mudança nos Estados Unidos não limitará margens, que a Rothy’s deixará de pressionar valor e que o crescimento não reconstruirá estoques excessivos. Para o usuário, o 1T26 deve ser lido como continuidade de uma virada operacional positiva, mas ainda em fase de confirmação.

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