A Allied iniciou 2026 com resultado operacional mais eficiente e lucro líquido maior, apesar de uma leve queda da receita consolidada. O trimestre mostra uma companhia ainda lucrativa, com patrimônio líquido robusto, endividamento controlado e melhora de rentabilidade, mas com atenção ao consumo de caixa operacional e ao aumento de capital de giro em estoques e contas a receber.
A receita líquida consolidada foi de R$1,1594 bilhão no 1T26, queda de 3,1% em relação ao 1T25. A retração veio principalmente da operação internacional, que caiu 50,5% no período. Essa queda foi parcialmente compensada pelo crescimento da operação Brasil, que avançou 3,9%, com destaque para o canal online, que cresceu 19,3%, e para Distribuição, que cresceu 1,5%.
O principal ponto positivo foi a melhora da rentabilidade. O lucro bruto consolidado cresceu 7,9%, para R$158 milhões, e a margem bruta subiu de 12,2% para 13,6%. O EBITDA recorrente cresceu 16,1%, para R$58,6 milhões, com margem de 5,1%. O lucro líquido recorrente e contábil foi de R$24,7 milhões, alta de 63,9% em relação ao 1T25.
A companhia manteve estrutura financeira relativamente confortável. A dívida líquida informada pela administração foi de R$141,8 milhões, equivalente a 0,6x EBITDA LTM, e o caixa final consolidado foi de R$290,4 milhões. Esses indicadores mostram que a Allied não está em situação de fragilidade financeira imediata.
A ressalva está no caixa do trimestre. O caixa operacional consolidado foi negativo em R$26,7 milhões, contra geração positiva de R$295,5 milhões no 1T25. A diferença veio principalmente do aumento de contas a receber e estoques, que consumiram capital de giro, parcialmente compensado pelo aumento de fornecedores. A empresa também pagou R$37,3 milhões em JCP/proventos no período.
A leitura central para o usuário é que a Allied no 1T26 melhora a qualidade do veredito, mas ainda exige cautela. A companhia é lucrativa, tem dívida baixa, margem em expansão e canais Brasil mais fortes. Porém, a queda da receita total, a retração internacional e o consumo de caixa por capital de giro impedem um sinal verde pleno.