Ativo de risco

AERI3 - Aeris

1T/2026

Bens industriais

Máquinas e equipamentos industriais

Matriz: Caucaia - CE

Maior fabricante independente de pás de rotores para turbinas de geração eólica (pás eólicas) do Brasil. Sediada estrategicamente no Ceará, a companhia atende a grandes fabricantes globais de aerogeradores (como a Vestas) tanto para o mercado interno quanto para a exportação. Além da fabricação de componentes de alta tecnologia em fibra de vidro, a empresa presta serviços especializados de manutenção preventiva, corretiva, pintura e inspeção de torres e turbinas eólicas diretamente nos parques de geração de energia.

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Total de ações 62.120.196
Ações ordinárias 62.120.196
Ações preferenciais Não
Free float 29.312.345 — 47,19%
Maior acionista BTG Pactual S.A. — 24,67%
Tesouraria 658.474 — 1,06%

Data: 2026-05-29

R$ 2,34
1,30% no dia
R$ 196,95 R$ 2,28
2020 2026
Valor de mercado R$ 143,50 mi
Volume 19,40 mil
P/L externo -
Dividend yield 12m 0,00%
DIVIDENDO
25/03/2022
R$ 0,02

Análise de preço da ação

Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.

indefinida
P/L -0,2x
EV/EBITDA -4,4x
P/VP -0,2x
Dividend yield 12m 0,00%
Data da análise 07/06/2026

Múltiplos sem sentido econômico

A Aeris tem valor de mercado de cerca de R$ 143,5 mi, com cotação próxima da mínima de 52 semanas (R$ 2,25 contra topo de R$ 4,78). À primeira vista, parece um caso de ação muito descontada, mas os múltiplos não ajudam a confirmar isso: P/L de -0,2x, EV/EBITDA de -4,4x e P/VP de -0,2x são todos negativos e perdem significado econômico, porque a empresa fechou o último ano com prejuízo de R$ 901 mi, EBITDA negativo, patrimônio líquido negativo e caixa operacional negativo. Sem lucro, sem EBITDA positivo e com patrimônio líquido abaixo de zero, não existe âncora confiável de valor para dizer se o desconto é real ou apenas reflexo de uma estrutura deteriorada.

Por isso a leitura é indefinida, e não um desconto limpo. O 1T26 trouxe melhora sequencial frente ao 4T25 (prejuízo menor, EBITDA ajustado menos negativo, exportações em alta e 1,4 GW contratados para 2026/2027), mas a receita ainda caiu 49,8% contra o 1T25, a margem bruta segue negativa, o resultado financeiro pesa muito, o caixa caiu para R$ 16,3 mi e o patrimônio líquido negativo piorou para -R$ 836,5 mi. A tese é de turnaround e situação especial, dependente de reativação de linhas, conversão dos contratos em receita e geração de caixa positiva. Enquanto esses sinais não se confirmarem, qualquer valuation por múltiplos permanece distorcido e o valor de mercado baixo não deve ser tratado, por si só, como margem de segurança.

Indicadores principais

Receita líquida R$ 105.612
EBITDA R$ -26.313
Lucro líquido R$ -138.001
Dívida líquida R$ 1.769.994
Margem líquida -130,67%
FCO R$ -412

Contratos de 1,4 GW e prejuízo menor marcam o 1T26, mas receita muito baixa e dívida elevada mantêm a classificação da empresa como ativo de risco.

A empresa deve seguir como ativo de risco. O 1T26 trouxe melhora sequencial frente ao 4T25, com prejuízo menor, EBITDA ajustado menos negativo, crescimento das exportações, 1,4 GW contratados para 2026/2027 e previsão de reativação de linhas. Porém, a companhia ainda tem receita muito baixa, margem bruta negativa, EBITDA ajustado negativo, prejuízo relevante, resultado financeiro pesado, caixa baixo, dívida elevada e patrimônio líquido negativo. O usuário deve acompanhar se os contratos recentes realmente se transformam em volume, margem, EBITDA positivo e caixa.

Trajetória recente

Demonstrações Financeiras 2021

2021 foi um ano de crescimento operacional para a Aeris, mas com piora na qualidade do resultado. A companhia aumentou receita e manteve EBITDA positivo, porém o lucro líquido caiu em relação a 2020. O principal problema não foi falta de demanda, mas a combinação de maior custo financeiro, variação cambial, expansão industrial pesada e pressão de eficiência nas linhas de produção. A empresa continuou bem posicionada no setor de energia eólica, com atuação na fabricação de pás para aerogeradores e base de clientes formada por grandes fabricantes globais.

Demonstrações Financeiras 2022

2022 foi um ano de deterioração para a Aeris. A companhia manteve receita próxima à de 2021, mas saiu de lucro para prejuízo. O problema principal foi a piora forte do resultado financeiro, combinada com menor volume faturado, aumento de estoques, consumo de caixa operacional e alavancagem ainda pressionada. A tese operacional continuou apoiada na energia eólica e em contratos de longo prazo, mas 2022 mostrou que a empresa enfrentava dificuldade para transformar carteira contratada em geração de caixa e lucro.

Demonstrações Financeiras 2023

2023 foi mais um ano difícil para a Aeris. A companhia ainda permaneceu em prejuízo, mas mostrou alguma melhora operacional em relação a 2022: o lucro bruto e o resultado antes do financeiro melhoraram. Mesmo assim, o resultado financeiro continuou muito pesado e impediu a volta ao lucro. A tese comercial ganhou fôlego com novos aditivos contratuais.

Demonstrações Financeiras 2024

2024 foi um ano de forte deterioração para a Aeris. A companhia teve queda relevante de receita, prejuízo muito elevado, consumo forte de caixa, redução expressiva do patrimônio líquido e aumento do risco de continuidade operacional. O setor eólico brasileiro perdeu força em 2024, com menor contratação de novos projetos, queda nas vendas de PPAs, impacto do debate sobre curtailment, juros elevados e PLD baixo. Esse cenário reduziu a demanda por pás eólicas e levou a companhia a direcionar mais esforços para exportações.

Demonstrações Financeiras 2025

2025 foi mais um ano crítico para a Aeris. A companhia continuou em forte retração operacional, com receita muito menor, prejuízo elevado, caixa operacional negativo, queda relevante de liquidez e patrimônio líquido consolidado negativo. A empresa saiu de uma situação de crise operacional em 2024 para uma situação clara de reestruturação financeira e tentativa de sobrevivência em 2025. A principal diferença em relação a 2024 é que a Aeris conseguiu concluir parte relevante da repactuação de dívidas.

Resumo fundamentalista

Aeris iniciou 2026 ainda em situação fundamentalista frágil. O trimestre mostrou alguma melhora sequencial em relação ao 4T25, especialmente na redução do prejuízo e na melhora do EBITDA ajustado, mas a companhia continuou com receita muito baixa, margem bruta negativa, EBITDA ajustado negativo, prejuízo líquido relevante, patrimônio líquido negativo e estrutura de dívida pesada.

A receita líquida consolidada do 1T26 foi de R$105,6 milhões, queda de 49,8% em relação ao 1T25 e queda de 7,8% frente ao 4T25. A retração reflete principalmente o baixo nível de demanda no mercado doméstico de energia eólica, ainda impactado por desaceleração na contratação de novos projetos, efeitos do curtailment e menor previsibilidade de investimentos no setor.

O resultado operacional continuou pressionado. A margem bruta consolidada ficou negativa em 12,6%, contra margem positiva de 14,6% no 1T25. O EBITDA ajustado foi negativo em R$27,5 milhões, com margem negativa de 26%. Apesar de ainda negativo, houve melhora relevante frente ao 4T25, quando o EBITDA ajustado havia sido negativo em R$60,6 milhões.

O prejuízo líquido consolidado foi de R$138 milhões no 1T26. Esse prejuízo representa melhora expressiva em relação ao 4T25, quando o prejuízo foi de R$477,5 milhões, impactado por impairment não caixa. Porém, na comparação anual, o prejuízo piorou frente ao 1T25, quando havia sido de R$91,5 milhões. Isso mostra que a recuperação ainda é incompleta.

A leitura central para o usuário é que Aeris continua sendo ativo de risco. Há sinais iniciais de possível retomada, como 1,4 GW contratados para fornecimento de pás em 2026/2027, pipeline de 0,7 GW e previsão de reativação de quatro linhas nos próximos meses. Ainda assim, a situação atual permanece crítica: operação subutilizada, margem negativa, dívida elevada, caixa baixo e patrimônio líquido negativo.

Pontos de atenção

O principal risco é a continuidade da margem negativa. A companhia teve margem bruta negativa de 12,6% e EBITDA ajustado negativo. Enquanto a operação não atingir volume suficiente para diluir custos fixos, a empresa continuará dependendo de caixa, renegociação financeira e execução de novos contratos para sobreviver.

O segundo risco é a estrutura de capital. A companhia tem patrimônio líquido negativo e dívida elevada, com caixa muito baixo. Isso mantém a tese em perfil de alto risco, mesmo com melhora sequencial de alguns indicadores.

O terceiro risco é a dependência de retomada do mercado eólico. O Brasil segue com desaceleração de novos projetos e impactos de curtailment. A retomada anunciada ainda é gradual e precisa ser confirmada nos próximos trimestres. Caso a demanda demore mais, a empresa pode continuar operando abaixo da capacidade ideal.

O quarto risco é a reativação das linhas. Reativar quatro linhas pode melhorar a escala, mas também exige capital de giro, pessoas, insumos, produtividade e demanda firme. Se a reativação ocorrer sem margem adequada, pode aumentar consumo de caixa.

O quinto risco é o resultado financeiro. O resultado financeiro consolidado foi negativo em R$90,7 milhões no 1T26. Esse valor é muito elevado em relação à receita do trimestre e ao EBITDA negativo. Enquanto o custo financeiro for tão pesado, a empresa precisará de grande recuperação operacional para voltar a uma trajetória sustentável.

Também permanecem riscos ligados a contratos de energia, drawback, exportações, câmbio, inadimplência de clientes, concentração de clientes, renegociação de dívida, impairment, alavancagem e necessidade de preservar caixa.

Leitura final

Aeris deve ser lida como uma companhia ainda em crise, mas com alguns sinais iniciais de possível estabilização. A melhora sequencial do EBITDA ajustado, a redução do prejuízo frente ao 4T25, o avanço das exportações, os 1,4 GW contratados e a previsão de reativação de quatro linhas são pontos positivos.

A ressalva é que a situação fundamentalista continua muito frágil. A receita caiu quase pela metade contra o 1T25, a margem bruta continua negativa, o EBITDA ajustado segue negativo, o prejuízo é elevado, o resultado financeiro pesa muito, o caixa é baixo e o patrimônio líquido negativo piorou.

Para o usuário, Aeris deve permanecer classificada como ativo de risco. O trimestre mostra que talvez exista uma base para recuperação gradual, mas ainda não há evidência suficiente de virada financeira. O acompanhamento dos próximos trimestres deve focar em reativação de linhas, conversão dos 1,4 GW contratados em receita, recuperação da margem bruta, geração de EBITDA positivo, preservação de caixa, renegociação da dívida e redução da fragilidade patrimonial.

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