Aeris iniciou 2026 ainda em situação fundamentalista frágil. O trimestre mostrou alguma melhora sequencial em relação ao 4T25, especialmente na redução do prejuízo e na melhora do EBITDA ajustado, mas a companhia continuou com receita muito baixa, margem bruta negativa, EBITDA ajustado negativo, prejuízo líquido relevante, patrimônio líquido negativo e estrutura de dívida pesada.
A receita líquida consolidada do 1T26 foi de R$105,6 milhões, queda de 49,8% em relação ao 1T25 e queda de 7,8% frente ao 4T25. A retração reflete principalmente o baixo nível de demanda no mercado doméstico de energia eólica, ainda impactado por desaceleração na contratação de novos projetos, efeitos do curtailment e menor previsibilidade de investimentos no setor.
O resultado operacional continuou pressionado. A margem bruta consolidada ficou negativa em 12,6%, contra margem positiva de 14,6% no 1T25. O EBITDA ajustado foi negativo em R$27,5 milhões, com margem negativa de 26%. Apesar de ainda negativo, houve melhora relevante frente ao 4T25, quando o EBITDA ajustado havia sido negativo em R$60,6 milhões.
O prejuízo líquido consolidado foi de R$138 milhões no 1T26. Esse prejuízo representa melhora expressiva em relação ao 4T25, quando o prejuízo foi de R$477,5 milhões, impactado por impairment não caixa. Porém, na comparação anual, o prejuízo piorou frente ao 1T25, quando havia sido de R$91,5 milhões. Isso mostra que a recuperação ainda é incompleta.
A leitura central para o usuário é que Aeris continua sendo ativo de risco. Há sinais iniciais de possível retomada, como 1,4 GW contratados para fornecimento de pás em 2026/2027, pipeline de 0,7 GW e previsão de reativação de quatro linhas nos próximos meses. Ainda assim, a situação atual permanece crítica: operação subutilizada, margem negativa, dívida elevada, caixa baixo e patrimônio líquido negativo.